Flávio, 36 anos, é profissional autônomo. Casado com Júlia há 15, tem dois filhos. Desde o início do casamento, a questão financeira foi causa de conflito entre os dois. Ambos trabalham, mas o rendimento nunca parece ser suficiente, especialmente para ela. Em função disso, o que começou como uma brincadeira ou uma amena distração – jogar no bingo – virou uma obsessão, um vício, que faz Júlia vibrar na expectativa de, um dia, ganhar muito dinheiro e, assim, resolver a situação do casal.
Por causa do jogo, contudo, abandonou a convivência com o marido e os filhos. Passa a noite jogando e chega de madrugada, cada vez mais tarde. Uma empregada encarrega-se de ficar com os filhos até o pai voltar do trabalho e ele, por sua vez, encarrega-se de dar banho e mamadeira para o caçula e de pôr as crianças na cama.
Ele já saiu duas vezes de casa, e até procurou advogado, pensando em separação. Mas quando vai embora, Júlia o procura e promete que chegará cedo em casa, que irá administrar melhor essa sua propensão para o jogo. Passado o período de risco, no entanto, tudo volta ao que era antes.
O sonho de Flávio é proporcionar aos filhos uma família, como a que ele teve. ‘‘Mas eu e Júlia não compartilhamos mais planos para o futuro ou objetivos comuns’’, comenta, com tristeza, ‘‘nossa relação é muito instável e não sei o que pode acontecer amanhã.’’ (A.S.)

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