O universo do boxe sempre esteve associado aos homens. Os grandes lutadores nacionais e internacionais sempre foram do sexo masculino. Tanto na vida real como no cinema, essa luta tem como característica a força física e a violência dos embates. Os socos, sacos de areia, luvas e lutas ficavam distantes do interesse e até do alcance feminino.
  Com a mudança de costumes na sociedade moderna e o avanço e liberação das mulheres nos mais diversos campos, o boxe começou a ganhar ares mais graciosos e delicados. ‘‘Desde que comecei a dar aulas de boxe, o interesse das mulheres foi grande. Hoje cerca 60% dos meus alunos são do sexo feminino. Foi daí que resolvi criar uma aula mais apropriada para elas’’, diz o lutador de boxe e professor de artes marciais da Academia Wet, José de Batista Neto.
  Ele garante que a idéia de masculinização provocada pela luta não é verdadeira. ‘‘As mulheres não correm o risco de ficarem musculosas como os lutadores porque o corpo feminino não é capacitado para isso e as aulas não têm essa finalidade. Só uma pessoa que se dedique muito à prática do esporte e a competições ganha esse porte. Acho até que as meninas que praticam boxe ficam com o corpo muito bonito porque fica tudo no lugar e bem firme. As pernas são bastante exigidas porque é preciso se movimentar o tempo todo para evitar os socos do adversário’’, afirma.
  Outra vantagem para quem pratica boxe, segundo Neto, é o gasto calórico elevado. Em uma hora de aula o aluno perde em média 700 a 800 calorias. Só para se ter uma idéia, em uma aula de aeróbica esse gasto fica em torno de 400 calorias. ‘‘Por esse motivo, as aulas de boxe são as mais procuradas pelas mulheres, junto com as de spinning (exercícios na bicicleta). A prática de boxe melhora do sistema cardiorrespiratório e circulatório, favorecendo a eliminação de flacidez, celulite. Sem falar na auto-estima que fica elevada sempre que se faz uma atividade física’’, explica.
  Durante a aula, que dura de 45 minutos a uma hora, os alunos fazem uma espécie de circuito de atividades diferentes, que são divididos em rounds de três minutos de duração cada. ‘‘Existem exercícios de sombra, quando o aluno treina os movimentos olhando no espelho, com o saco de areia, sparring, manopla. Os alunos vão se revezando em cada movimento’’, explica.
  Apesar dos socos treinados nas aulas, o professor garante que nenhuma aluna sai machucada ou com hematomas. ‘‘A aula não é violenta, não tem soco na cabeça ou no rosto como aparece na televisão. É tudo muito tranqüilo e descontraído. Os alunos aprendem a bater e se defender em situações de perigo porque é algo natural das lutas, mas não precisa apanhar nas aulas para isso’’, lembra.
  Para participar das aulas, é necessário usar roupas e sapatos esportivos, luvas e protetor bucal. ‘‘Mas tudo isso é barato. As luvas custam em média R$ 30 e o protetor cerca de R$ 15. Não é um investimento alto’’, comenta. Antes de ingressar no boxe, Neto diz que é importante passar por uma avaliação médica. ‘‘Fazemos isso mais por garantia porque o boxe não tem restrição. Qualquer pessoa pode fazer, respeitando seu ritmo de treino. Nas aulas só não aceitamos crianças abaixo de 13 anos, por causa da imaturidade e baixa estatura para os treinos’’, explica.

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