Com a mudança do ex-marido para uma outra cidade, a promotora de vendas Graciela Canesin sabia que teria que dobrar a atenção com as duas filhas adolescentes. Já que seria impossível segurá-las em casa com tantas festas e baladas acontecendo na cidade, a mãe zelosa resolveu se prevenir. ''Fiquei pensando se um dia elas precisassem de mim à noite e eu tivesse que buscá-las sozinha'', conta.
Foi então que Graciela apostou suas fichas num curso para vigilantes profissionais e passou 10 dias num sistema intensivo de aulas. Aprendeu defesa pessoal, a manejar um revólver, entre outras atividades. Era uma das quatro mulheres num grupo de 35 alunos. Gostou tanto da experiência que decidiu seguir carreira. ''Eu estava desempregada na época'', lembra.
Durante pouco mais de um ano, Graciela trabalhou como segurança em boates e festas. Preconceito? ''No começo minha filha mais nova não gostou muito da idéia'', relata. Os colegas de trabalho também ficavam com ''um pé atrás''. ''Para eles é difícil aceitar uma mulher como supervisora'', explica. Mas é algo que famílias, colegas e a sociedade precisam se acostumar. Pelos cálculos de Graciela, as mulheres são 20% a 30% da segurança da cidade.
Além da ''atitude mais ponderada da mulher como segurança'', segundo ela, a necessidade de um número tão expressivo de um batalhão feminino se dá por conta do aumento de brigas nas festas. ''Acredito que 40% das brigas na noite são entre mulheres, que estão bebendo mais. Elas estão se igualando aos homens em tudo, até nas coisas ruins'', avisa.
Com a experiência conquistada como segurança, Graciela Canesin foi convidada a ser promotora de vendas da empresa em que trabalhava.

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