Fernanda tem 32 anos e está casada com Marcos há 10. Eles têm 3 filhos, sendo que o último está completando 20 dias. A separação legal do casal, pedida por Fernanda, deve sair ainda este mês.
Ela conta que, depois de um acidente, Marcos começou a ficar muito irritado, nervoso. ‘‘Ele já era assim’’, comenta,‘‘só que essas características se acentuaram. Pensei que ele pudesse mudar, mas isso não aconteceu.’’ Autoritário e de gênio difícil, Marcos não aceitava qualquer iniciativa dela no sentido de tentar modificar seu comportamento agressivo.
Quando Fernanda começou a falar em separação, sua reação imediata foi partir para a chantagem emocional, ameaçando se suicidar se ela o abandonasse ou até mesmo sequestrar os filhos. Ela acabava por aceitar o jogo dele e mantinha o casamento. Chegaram a fazer, juntos, terapia de casal. Mas ele tinha a expectativa de que a terapia revelasse que ela estava errada. Quando percebeu que os dois teriam de rever seus próprios comportamentos e, talvez, mudá-los, desistiu.
Quando Fernanda engravidou do caçula, porém, tudo se modificou. ‘‘Senti tanta força’’, ela conta, emocionada, ‘‘que a partir daí tudo pareceu possível.’’ Foi uma gravidez de alto risco. Ela teve pressão alta e começou o trabalho de parto muito cedo, com pouco mais de 6 meses de gravidez. O médico recomendou repouso absoluto. Mesmo assim, Marcos não a deixou em paz, continuando a fazer chantagem emocional. Em meio a essa gravidez difícil e sentindo a força de uma possível renovação, com a proximidade do nascimento do bebê, ela decidiu enfrentá-lo, não cedendo mais às suas chantagens.
Marcos ainda não está conformado e acredita que vá reconquistá-la, seja de que forma for. Ela está convicta de sua decisão e pretende retomar sua vida, tentando, principalmente, ser feliz. (A.S.)

mockup