As mulheres-mães brasileiras se vêem diante de uma encruzilhada ao tentar conciliar a maternidade, a realização pessoal e profissional, o casamento e a independência financeira. Elas sabem que para enfrentar essa empreitada não estão sozinhas na educação dos filhos. Os maridos estão mais solidários, dividindo tarefas com as esposas. Fora do círculo familiar, os filhos sofrem influências da escola, TV e até das babás. Parte das famílias é chefiadas por mulheres, enquanto que um número crescente de filhos é educado por pais separados.
Esses e outros questionamentos relativos ao universo feminino são apresentados pela jornalista e escritora Chantal Brissac. Recentemente, ela lançou o livro ‘‘Quem é você mulher’’, considerado uma visão ampliada do seu trabalho na imprensa. Chantal atuou nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e nas revistas Veja, Caras e Capricho. Atualmente, ela é sub-editora de comportamento da revista Isto É, uma editoria muito valorizada em função da demanda de leitores, a maioria mulheres.
Com sua experiência na área comportamental, ela reuniu um material considerável nas esferas familiar e de relações afetivas. Um dos tópicos abordados pela autora, e que possui grande relevância para a mulher de hoje, é exatamente em relação à educação dos filhos. Em muitos aspectos, essa educação é terceirizada. A escola absorveu parte considerável daquilo que é função dos pais.
Terceirização Muitas dessas mulheres-mães relatadas no livro reconhecem a impossibilidade de fazer tudo ao mesmo tempo, têm suas crises e sentem-se divididas. O temor das mães é que sua ausência deixe uma lacuna em duas das principais matérias-primas da formação: a atenção e o amor. Outro medo real dessa ausência durante as longas horas de trabalho diário, é de alguém ocupar seu lugar e roubar o afeto do filho.
Deixar os filhos em frente à TV é considerada uma forma de abandono e mais tarde eles poderão até ficar com problemas afetivos e de relacionamento. O ideal é selecionar a programação, evitando a exposição exagerada, e não criar fantasmas a respeito daquilo que eles não devem assistir.
Encontrar uma babá quase perfeita é uma tarefa que depende até do fator sorte. Muitas mães acreditam que essa seja uma solução plausível, mas em geral essas profissionais são raras e exigem remuneração alta.
Outro dilema vivido pelas mães é na hora de escolher e deixar o filho na escolinha. Hoje, essa iniciação social está se dando cada vez mais precocemente. Para muitas, não há outra solução, a não ser essa separação. Esses foram os temas abordados por Chantal Brissac em entrevista à Folha da Sexta. A seguir, trechos do bate-papo.
Folha da Sexta A mulher ainda carrega o sentimento de culpa pela extenuante jornada de trabalho?





ReproduçãoCom experiência
nas editorias
de comportamento,
a jornalista
Chantal Brissac
condensou vasto
material de
entrevistas num
livro que aborda
vários temas das
fases da vida
feminina

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