Educação deve reforçar diferenças
Educação deve
reforçar diferenças
Em termos de educação, a psicóloga Elizabeth Barreto Viotto recomenda que os pais busquem formas de diferenciar os gêmeos desde bebês. Há um mito de fortalecer a igualdade, o que reflete negativamente na formação da personalidade. O ideal é que isso comece a partir do nascimento, evitando vesti-los com roupas iguais e colocando nomes muito parecidos. Existem casos de pais que dividem um nome em dois. Por exemplo, Lucy e Ana, ou seja, um único nome (Luciana), para duas pessoas. Esse tipo de trocadilho deve ser evitado, orienta a psicóloga.
Quando bebês, a diferenciação deve ser reforçada, inclusive, com adornos para evitar que a mãe dê remédio duas vezes para a mesma criança, o que é um perigo. Apesar de as mães afirmarem que sabem quem é quem, muitas confessam se confundir, principalmente quando os filhos ainda são bebês. É comum não saber qual deles teve caxumba ou outra doença. Desde criança, é importante que os pais proporcionem aos gêmeos condições para que eles busquem a sua individualidade. Isso não significa que é preciso separá-los, até porque a relação deles é de um companheirismo superior a de irmãos comuns, informa Elizabeth.
Outro problema que causa muita confusão na educação dos gêmeos é a diferença de grau. Viver sob a sombra da comparação é terrível. Quem nasceu antes pode gerar o primeiro fato desencadeador de diferenças e determinação de papéis. A mãe pode ver vantagens no primeiro, que é mais esperto; ou desvantagem por achar que ele, com suas iniciativas, prejudica o irmão que é mais frágil. Às vezes acontece de o irmão diminuir, propositalmente, seu rendimento escolar para que outro o alcance. Essa cumplicidade é muito comum entre os gêmeos, mas não deve ser incentivada pelos pais, diz a psicóloga.
Ambiente A pesquisadora ressalta que ao estudar a psicologia dos gêmeos, o mais difícil de se detectar, em termos de comportamento, é o que advém da hereditariedade ou do ambiente. Se forem criados juntos, não é possível retirar o fator ambiente; se criados separados, as semelhanças psicológicas precisam ser demasidamente valorizadas pelo pesquisador. Existem casos de gêmeos que, apesar viverem separados, possuem comportamentos mais parecidos. Isso demonstra que aqueles que vivem juntos procuram formas de se diferenciar, buscando criar sua própria identidade. Uma tentativa que precisa ser reforçada pelos pais.
Para ilustrar o argumento da psicóloga Elizabeth Viotto, vale lembrar a famosa história dos gêmeos norte-americanos Jim Lewis e Jim Springer, que adotados por famílias diferentes quando ainda eram bebês, reencontraram-se 39 anos depois, tendo coincidências impressionantes em suas vidas: foram batizados com o mesmo nome, casaram-se duas vezes com mulheres chamadas Linda e Betty e deram aos filhos primogênitos o nome de James. Roem as unhas, fumam cigarros da mesma marca, trabalham em postos de gasolina e têm por hobby a carpintaria. Se são meras coincidências ou não, esse é um mistério que a ciência ainda não desvendou.





