Educação - Lição de comunicação
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Francelino França 
Mario CesarO contato com a tecnologia favorece o desenvolvimento do portador de deficiência, mas a integração com outras crianças é essencialA pequena Susane Lopes Hasuda, 8 anos, se diverte na escola na hora do recreio, onde cursa a segunda série. Todos os coleguinhas querem que ela se integre às brincadeiras, e a garota corresponde plenamente ao chamado dos alunos. Esses momentos diários de descontração se repetem, mesmo com as limitações impostas pela paralisia cerebral que acometeu Susane. A demora no momento do nascimento fez com que a falta de oxigênio acarretasse um comprometimento no cérebro da garota.
Na época, os médicos não podiam precisar a extensão da lesão, mas o prognóstico de vida vegetativa foi ventilado. Aos três meses, idade no qual as crianças já sustentam o pescoço, Susane não dava sinais de progresso. E foi aí que a família percebeu que a ponto afetado foi o da coordenação motora. A parte intelectual estava intacta. A família começou a peregrinação aos médicos em busca de esperança para a pequena Susane.
Fabiana Hasuda, a mãe da garota aguçou sua sensibilidade e intuição para entender as expressões da filha. Um olhar, uma carinha triste, ou uma expressão alegre tinham muitos significados. Cada sinal diferente era uma nova conquista. Quando menor, ela chorava e gritava ao ver pessoas diferentes. Hoje, minha filha está completamente sociável, analisa a mãe da garota.
O desdobramento na dedicação à filha com limitações físicas, e ao mesmo tempo com potencial incalculável a ser desenvolvido, fez com que Fabiana Hasuda buscasse todos os meios para que Susane se integrasse a esse mundo. Ela encontrou profissionais que abraçaram a causa, empenhados em criar um elo de comunicação entre Susane e todos o que a cercam.
Susane Hasuda cursa a segunda série e possui rendimento igual aos outros alunos. Junto ao computador, uma professora auxilia o movimento dos braços durante toda a aula
Aprendizagem A diretora da Escola Vagalume, Silvia Cruciol, faz parte da equipe que dá suporte à educação de Susane. Encontrar formas de comunicação para a aluna é um dos empenhos de Silvia. A diretora salienta um aspecto importante na educação de portadores de deficiência, afirmando que a criança, quando não se sente aceita do jeito que é, pode ficar com o lado emocional abalado. O emocional vai travar o processo de aprendizagem. Há comprometimento no desenvolvimento intelectual. Acredito que existam muitas crianças nessa situação, observa Silvia.
Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional são recursos indispensáveis para manter a saúde da menina. No caso da fisioterapia, são feitas quatro sessões por semana, e Susane trabalha alongamento, devido a um encurtamento da musculatura, e para conter os reflexos. A fono realiza um trabalho desenvolvendo a deglutição e busca também outras formas de comunicação alternativa. E na terapia ocupacional, Susane empenha-se em melhorar a coordenação motora e as atividades do dia-a-dia.


