Educação - Educar é impor limites
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quinta-feira, 29 de maio de 1997
Celso Mattos 
Josoé CarvalhoOs pais não devem libertar os filhos, mas dar condições para que eles se libertem sozinhos, diz Ivan CapelattoMesmo depois de anos de estudos e pesquisas, nem a psicologia e muito menos a pedagogia encontraram a fórmula correta de se educar um filho. Cada linha de pensamento aborda o assunto de uma forma diferente. Além disso, muitos conceitos que eram tidos como definitivos, mostraram-se frágeis e ineficientes ao longo dos tempos. O psicoterapeuta familiar Ivan Capelatto, que é professor do Departamento de Pediatria da Maternidade de Campinas (SP) e autor do livro Dimensões do Amor, critica a liberdade sem limites pregada pela psicologia e pela pedagogia nas últimas décadas.
Capelatto, que esteve recentemente em Londrina para dar uma série de palestras para professores, pais e psicólogos, defende uma educação baseada no amor, mas com limites definidos. Os pais não devem libertar o filho, mas dar a ele condições de se libertar sozinho. Ao fazer tudo o que o filho quer, os pais não estão educando-o para a vida, mas transformando-o num adulto sem vontade própria e sem prazer de lutar por aquilo que deseja, afirma Ivan.
Segundo o psicoterapeuta, o grande erro da psicologia e da pedagogia foi pregar uma educação sem limites por muito tempo. Graças a Deus, esses conceitos estão sendo revistos agora. Tudo começou com o fim da Segunda Guerra Mundial. As pessoas se assustaram com a fragilidade da vida diante de tantas mortes e começaram a defender uma liberdade total. Já que a vida é tão curta, pra que impor limites? Além da psicologia e da pedagogia, essa filosofia contaminou outras correntes de pensamento como a sociologia, as artes e a literatura, e o resultado foi desastroso para a educação. Os pais começaram a dar tanta liberdade aos filhos que acabaram criando jovens sem rumo e sem perspectivas.


