Paulo Wolfgang‘‘A leitura é a melhor forma de superar a deficiências gramaticais’’, afirma o professor Joaquim CarvalhoA complexidade da língua portuguesa é um problema para todos os brasileiros. A infinidade de regras, a divergência entre gramáticos e a deficiência no ensino desta disciplina contribuem para tornar a questão ainda mais séria. Estudantes e profissionais vivem constantemente em dúvida quanto à forma correta de escrever determinadas palavras e períodos linguísticos. Afinal, é impossível conhecer o português tão bem a ponto de dispensar dicionários e livros de gramática todas as vezes em que é preciso escrever um texto ou mesmo uma simples carta.
Na opinião do professor Joaquim Carvalho da Silva, da Universidade Estadual de Londrina, que ensina língua portuguesa há 40 anos, além da complexidade da língua, o ensino no 1º e 2º graus é deficiente e fragmentado, dificultando o aprendizado. ‘‘A adoção do livro do professor, no qual os exercícios vêm todos resolvidos, levou o profissional ao comodismo. Ele não precisa pesquisar e, muitas vezes, nem percebe os erros que os livros trazem. Além disso, devido à dinâmica da língua, nunca temos um dicionário completo e atualizado’’.
Segundo Joaquim Carvalho, existem palavras como, por exemplo, adhocsocial, que já está sendo usada em muitas empresas, mas que não existe em nenhum dicionário. ‘‘Nesse caso, é preciso buscar no latim, e até no grego, a forma correta de escrevê-la’’. De acordo com o professor, que também atua no Disk-gramática da UEL, as principais dúvidas das pessoas estão relacionadas ao uso da crase, ao plural de palavras compostas e à regência verbal. ‘‘As pessoas confundem crase com acento. Ao contrário do acento, a crase interfere no sentido e na clareza da frase’’, explica o professor.

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