EDUCAÇÃO - Aluno é reflexo do contexto familiar e social
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Até que ponto a escola é responsável pela educação de seus alunos? Para muitos educadores, o papel deve ser dividido com a família. "Aluno não é um problema, aluno não é indisciplinado, aluno não é vagabundo, aluno não é preguiçoso. Aluno é um reflexo do contexto social familiar e escolar. O resto é tudo consequência", afirma o professor, psicólogo e psicopedagogo Raison Pinheiro, diretor de consultoria educacional do Sistema Ari de Sá (SAS), grupo de ensino cearense responsável pelo conteúdo pedagógico de 395 escolas do País. O grupo escolheu o Colégio Universitário, em Londrina, como porta de entrada para estender sua atuação nos mercados do Sul e Sudeste. A parceria foi firmada no ano passado.
Para Pinheiro, a grande parcela de responsabilidade no bom desempenho acadêmico de um aluno chega a ser muito mais da família do que da própria escola. "O papel da família é determinante. Tenho uma colega psicóloga que defendeu na tese de doutoramento qual era a responsabilidade das instituições família e escola frente à aprendizagem dos filhos e alunos. A conclusão é que 70% do desempenho acadêmico de um aluno dependem da família e 30% da escola, por melhor que ela seja. Nada substitui a família", afirma. "Agora, os 30% da escola fazem diferença, não? Por isso é que a escola deveria, no meu ponto de vista, selecionar as famílias. Se eu tenho um modelo e a família tem outro, tem que se passar por uma triagem. E é isso o que fazemos", decreta.
O diretor geral do Colégio Londrinense, professor Eleazar Ferreira, afirma que o bom desempenho escolar é fruto da atuação conjunta de três fatores indissociáveis: proposta educacional, aluno e família. O colégio utiliza há 14 anos o material pedagógico do Sistema Anglo de Ensino. "Ninguém vai obter grandes resultados quando não há união dessas três forças agindo conjuntamente. Uma só delas não funciona. O aluno pode ser excelente, mas se estiver numa péssima escola, com a proposta educacional superada, ele vai gastar muita energia e ter poucos resultados", pondera. Cabe à família, segundo o diretor, estimular no aluno o aprendizado e propiciar a ele um bom ambiente escolar dentro de casa. "A família é fundamental. Tem gente que não consegue estudar porque não tem uma família consolidada, que não tem valores, que não respeita a individualidade do aluno ao não criar um ambiente de estudo. E o colégio não vai poder dar tudo, como a faculdade também não. Isso é berço, vivência, experiência, postura", avalia.
E assim como os valores morais são ensinados no ambiente familiar logo na primeira infância, na escola a base de uma boa formação deve ser muito bem trabalhada na educação infantil. "As fases mais importantes na vida de um aluno são a educação infantil e o fundamental 1, porque são a base, o alicerce. Têm alunos que se perdem nesse período, com traumas, problemas de cognição e o professor não detecta. E aí o aluno se frusta, diz que não gosta de estudar. Um bom aluno de fundamental vai ser um bom aluno universitário e profissional, porque teve no início de sua vida acadêmica e estudantil excelentes fundamentos", sustenta Eleazar Ferreira, acrescentando que para isso há que se qualificar os professores dos anos iniciais. Principalmente para que saibam detectar os distúrbios de aprendizagem que possam ocorrer nessa fase da vida escolar. "A escola precisa treinar e qualificar os professores da educação infantil para perceber as limitações que às vezes nem a família percebe", pontua. O educador também defende um modelo educacional em que o professor seja menos catedrático e atue mais como um orientador de seus alunos.
DISCIPLINA
O psicopedagogo Raison Pinheiro considera essencial que a escola exerça sua função disciplinadora. Para ele, o aluno precisa mais do que estímulo, tem que ser obrigado a estudar. "Eu costumo dizer que o aluno padrão aqui do Ceará quer mesmo é três coisas: forró, cachaça e praia. É tudo igual na prática. O aluno não quer estudar. Na contramão dessa cultura imprimimos um ritmo diferenciado e impusemos uma questão que consideramos determinante: a disciplina. O aluno não quer estudar, mas estuda. Por quê? Porque não é uma opção, é uma imposição", pontua. E o aluno quer ser disciplinado? "Na verdade, o aluno pede disciplina. Ele não sabe que está pedindo e nem sabe como pedir, mas pede. O pai quer, mas também não sabe como. E a ampla maioria das escolas infelizmente tornam-se reféns também, não sabem como discipliná-lo", responde. (A FOLHA viajou para Fortaleza a convite do Sistema Ari de Sá)



