Carolina anda com a mãe pelo supermercado em um dia típico de compras para a família. No corredor de doces e guloseimas, ela faz inúmeros pedidos, alguns atendidos, outros não. A surpresa surge quando a menina, fascinada por uma boneca quase do seu tamanho, diz: 'Compra para mim, mãe?'. O motivo para a negativa vem em seguida. 'Mamãe não tem dinheiro'. 'Faz um cheque' é a solução encontrada pela garota de seis anos que ainda não entende direito como funciona a vida bancária.
A história aconteceu há muito tempo, mas continua atual na rotina das famílias com filhos pequenos. Se para os adultos o mundo das finanças é complicado, para os pequenos é algo praticamente desconhecido. Quem nunca conseguiu, por brincadeira, convencer uma criança a trocar uma nota de R$ 10 por cinco notas de R$ 1 e fazê-la acreditar que estava lucrando com isso, simplesmente porque tem mais papéis na mão?
Inocências da idade à parte, ensinar os filhos os segredos da economia e, mais ainda, como lidar de maneira saudável e inteligente com o dinheiro é uma tarefa difícil para os pais. Mas segundo o professor de economia Renato Pianowski de Moraes tudo fica mais fácil quando o aprendizado começa cedo. ''A criança não precisa conhecer matemática para entender de compras. Quanto mais cedo os pais começarem a esclarecer as coisas, melhor. Com 4 ou 5 anos já é possível estabelecer uma mesada. Se a criança quiser uma bala, os pais devem dar o dinheiro e deixar que ela compre'', diz.
O mais importante para Moraes é ensinar os pequenos a mensurar o dinheiro, entender quanto se tem de gasto e quanto se tem de ganho. Se a criança conseguir organizar esses valores ela tem mais chances de ser um adulto sem grandes problemas financeiros. ''Os filhos precisam participar de reuniões familiares para discutir as despesas da casa. E o exemplo deve vir dos mais velhos. Não adianta dizer para a criança que não tem dinheiro se os pais esbanjam. Pequenas coisas, como desligar lâmpadas sem uso e fechar a torneira para escovar os dentes são bons exemplos'', ensina.
A mesada, muitas vezes negada pelos pais, também ajuda na hora de ensinar os filhos a controlar os gastos. O professor de economia diz que quando a criança ou o jovem tem um valor para suas despesas do mês, eles aprendem a administrar essa quantia. ''Ela deve começar pequena e ir aumentando conforme aumentam as responsabilidades dos filhos. E os pais não podem dar dinheiro caso a mesada acabe antes do fim do mês. Nessas situações, o máximo que eles podem oferecer é um adiantamento da mesada seguinte. Dinheiro extra só em ocasiões especiais'', aconselha.
Outra boa sugestão para trabalhar a economia com os filhos é oferecer bonificações e trocas. O especialista afirma que jovens e crianças precisam ter obrigações dentro de casa, como arrumar a cama ou lavar a louça, mas é possível oferecer dinheiro para atividades fora do comum. ''Isso vai depender de cada família, das condições financeiras de cada caso. Mas não é errado recompensar os filhos caso eles lavem o carro ou cortem a grama do jardim se isso não for uma obrigação de rotina'', garante.
Para incentivar a economia dentro de casa, o especialista diz que os pais podem trocar cortes de gastos com recompensas a longo prazo. ''Um exemplo disso é oferecer às crianças férias em algum lugar especial ou uma televisão nova no final do ano se a conta de telefone se manter baixa até lá'', explica. Tudo isso não significa transformar as crianças em verdadeiros sovinas, mas em pessoas conscientes na hora de gastar seu dinheiro. ''Os pais precisam dar limites aos filhos. Mesmo aqueles que têm condições de comprar tudo, não devem fazê-lo. É preciso dizer não algumas vezes.''

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