O planeta pede socorro
Os ambientalistas realizam campanhas de conscientização em todo mundo, lembrando que a Terra pode morrer se os homens não mudarem sua forma de agir
Jossânia Navolar

Mário César‘‘Se as pessoas não preservarem a Terra, em pouco tempo, elas não terão mais o básico para sua sobrevivência’’, lembra Eliana Souto, uma das coordenadora da Bandeira VerdeA Terra pode morrer. Muitas pessoas ainda não atentaram para esse fato. Algumas vezes, o discurso dos ambientalistas soa distante e radical. Polêmica à parte, o fato é que coisas como efeito estufa, poluição do ar e do subsolo, buraco na camada de ozônio, chuva ácida, fauna ameaçada, acúmulo de lixo e desperdício de água e energia são bem reais. Infelizmente, o ser humano só se sente tocado quando é atingido na própria pele. Enquanto as coisas acontecem lá ao longe, parecem impossíveis de acontecer conosco.
Mas o que aconteceria se 20 milhões de pessoas desaparecessem em algumas horas, devido a um cataclismo terrestre? O que aconteceria se ao acordarmos um dia encontrássemos uma fenda geológica que se estendesse bem na nossa porta até uma cidade vizinha? Essas são algumas suposições de algumas correntes de ecólogos e ambientalistas. O que deve ficar em mente é que não são impossíveis de acontecer.
A Terra é o habitat do ser humano, é a sua casa. Para os ambientalistas, a idéia é justamente essa: é necessário olhar esse planeta como se olha a sua própria casa. Com amor, carinho e muito zelo. O estilo de vida do homem atual produz lixo e destrói o planeta, aos poucos ele perceberá os efeitos negativos disso. A crítica não é contra os confortos que a tecnologia moderna produz, mas contra os desconfortos que ela também produz, embora alguns ainda não estejam tão ‘‘visíveis’’ para a maioria das pessoas. Talvez por falta de consciência.
Lixo que mata A solução proposta é a busca de alternativas. Ninguém está propondo que voltemos à Idade da Pedra, mas apenas que o homem reavalie seu espaço nesse mundo e sua forma de interagir com ele, antes que seja tarde demais. E para entender isso é preciso trazer os conceitos para mais perto. O ambiente não é a Floresta Amazônica, lá na região norte, é todo o meio onde se vive. Tudo o que está dentro deste ambiente interage de forma direta ou indireta. E dentro deste todo não existem apenas árvores, mas animais, vegetais, calçadas, praças, casas, pessoas. Segundo Eliana Souto, coordenadora de projetos de Educação Ambiental, da Bandeira Verde, uma das preocupações mais gritantes é quanto ao lixo que se produz cotidianamente e que todos os dias mata um pouco o nosso planeta.
Segundo ela, entenda-se como lixo todo resíduo sólido, líquido ou gasoso que é jogado de forma não tratada na Terra. ‘‘As pessoas precisam ter em mente que se elas não preservarem esse planeta, em pouco tempo, elas não terão mais água e alimentos, básicos para sua sobrevivência. A morte do planeta significa a escassez desses recursos’’, lembra.
Para se ter uma idéia do porquê da grande preocupação que ambientalistas e ecólogos têm hoje com a questão do lixo, basta lembrar que só Londrina produz cerca de 300 toneladas/dia de lixo doméstico (não estamos falando nem do lixo hospitalar nem do industrial). Desse volume, cerca de 40% poderia ser reciclado, o que significaria uma economia de extração de recursos naturais, água, energia, entre outros.
Efeitos colaterais Dados do final da década de 80 revelam que eram recolhidas, por dia, na cidade de São Paulo, perto de 12 mil toneladas de lixo - quantidade que, se espalhada em um campo de futebol, alcançaria 4 metros de altura. ‘‘Em termos de Brasil, são cerca de 60 mil toneladas/dia (cada indivíduo produz cerca de 500 gr de lixo dia). É um




Maracanã de lixo por semana. Dá para imaginar o que isso significa? E o grande problema é que a sociedade pega esse lixo e ao invés de levar para os locais adequados, joga na terra que é a fonte da vida. Setenta por cento desse lixo vai parar nos lixões a céu aberto e outros cinco por cento vai para rios e mangues. São montanhas de lixo’’, lembra Eliana.
E para quem não sabe, o lixo produz um líquido tóxico chamado chorume que penetra na terra contaminando o lençol freático (água subterrânea). Segundo Eliana, o raciocínio que as pessoas devem fazer é que se tudo o que usamos, bebemos ou comemos vem direta ou indiretamente da Terra, se ela morrer nós também vamos morrer. ‘‘Já estamos sentindo os efeitos colaterais disso: através de doenças respiratórias, alergias, moléstias infecciosas, doenças do aparelho digestivo, entre outras’’, explica.
O que fazer então com tanto lixo? Primeiro é preciso evitá-lo (no que for possível, principalmente os mais tóxicos), depois é necessário reciclar o que é possível e tratar de forma adequada o resto. Essa é uma batalha que deve começar em casa, buscando orientação de como separar o lixo para a reciclagem e lutando junto aos órgãos competentes para a obrigatoriedade da coleta seletiva do lixo em todas as cidades do País. Várias entidades ambientalistas se propõem a dar orientação, basta buscar ajuda.
Serviço:
Associação Ambientalista Bandeira Verde, fone 336-8396.

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