Na lei da oferta e da procura, cresce o número de lojas de peças para montagem de brincos à medida em que a clientela descobre as vantagens (para quem busca uma nova fonte de renda) e as delícias (para quem só quer um hobby) de fazer em casa os brincos, as pulseiras, os colares...

Em apenas um ano e meio, Edith Muller Andrade e os sócios viram sua lojinha passar de básicos 22 metros quadrados para um espaço considerável de 180 metros quadrados. ''A crise econômica faz o nosso sucesso'', explica Edith, proprietária de uma loja de peças para montagem de bijuteria. ''As pessoas acabam sustentando famílias com isso'', avisa.
De acordo com a comerciante, até bem pouco tempo atrás era possível ter de 300% a 400% de lucro num único brinco ou colar. ''Com o mercado 'contaminado' (de ofertas) ainda é possível ter no mínimo 100% de lucro'', garante Edith, que também está longe de estar sozinha no negócio de venda de miçangas, pedras, strass, cristais e outros badulaques.
Entre tantas cores e variedades, os olhos da empresária Karina Gazola brilham ainda mais. ''Já teve época que cheguei a vir todos os dias'', conta Karina que, ao contrário da maioria dos clientes de lojas do gênero, não faz bijuterias só para vender. ''Faço umas 10 peças para mim e uma para vender'', diz a empresária. ''Há um ano eu não sabia fazer nada, mas depois que a gente começa não quer parar'', completa. Nas horas vagas entre trabalho e aulas de direito, a folga de Karina é toda dedicada aos brincos e pulseiras. ''É relaxante, quando vejo o dia já passou sem pensar em problemas'', conta.
Foi num passeio por uma feira de bijuterias que a professora Adriana Barbieri percebeu a possibilidade de uma renda extra para a família. Isso foi há apenas um mês. Desde então, ela passou por um curso rápido (em geral, as próprias lojas oferecem e nem cobram matrícula, basta comprar o material), produziu um mostruário com cerca de 50 peças e já está com várias encomendas. ''E ainda dá para distrair e desestressar'', avisa.
Aos 13 anos, Nábila Raquel Terra Ferreira pode ser considerada uma veterana no ramo de confecção de bijuterias. Isso porque aprendeu os truques com uma prima aos seis anos de idade. De lá para cá, viu crescer a oferta de materiais diversos.
''Antes era difícil porque só tinha miçanga para fazer colares''. ''Agora, eu não consigo sair sem comprar nada'', confessa Nábila, entre corações prateados que já devem ter se transformado em pulseira. ''Sai bem mais barato fazer as próprias bijuterias. Nas lojas, eles cobram a mão-de-obra, que sai mais cara'', ensina.
E por falar em preços, algumas peças custam a partir de inexpressivos três centavos. Dá para resistir?

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