O personal stylist está cada vez mais sendo procurado por pessoas da classe média que, por preços que variam entre R$ 50 e R$ 100 por um dia de trabalho, consegue realizar o sonho de quem quer se vestir corretamente sem gastar uma fortuna. Além de profissionais da moda, o personal stylist também tem de fazer o papel de psicólogo, já que mulheres recém-separadas desejam mudar de vida e de estilo. Outras, por meio das roupas, querem montar uma estratégia de sedução e, antes recatadas, passam a se interessar por vestidos e blusas com decotes.
À primeira vista pode parecer coisa de ricos e famosos, pois são esses os casos mais aleardeados pela mídia, como o da cantora Wanessa Camargo, que livrou-se do guarda-roupa cafona e recauchutou o visual com alguns quilos a menos e a ajuda indispensável de um personal stylist. Mas a realidade por trás das vitrines, provadores de roupa e espelhos tem se mostrado bem diferente. Pessoas de classes sociais menos privilegiadas estão usando e abusando dos serviços desse profissional, cuja especialidade é ajudar o cliente a descobrir seu próprio estilo e andar na moda.
O personal stylist não atua apenas em lojas de grife ou nos shoppings de áreas nobres. Junto com seus clientes ou sozinhos, eles percorrem o comércio do Bom Retiro, na região central, ou de locais mais populares, em busca de peças bonitas e que combinem com o estilo da pessoa que estão atendendo.
''As pessoas comuns começaram a entender que nosso não é só glamour, mas um serviço acessível. Todo mundo quer estar bonito'', diz a personal stylist Daniele Gonçalves, de 22 anos, que tem cerca de 50 clientes, entre donas de casa, bancárias, secretárias, profissionais liberais e aposentadas.
Uma estimativa informal dos profissionais da área apontam que há na cidade cerca de 150 personal stylists que atendem às classes menos afortunadas. O preço deles varia de R$ 50 a R$ 100 por seis horas ou um dia de trabalho, dependendo de cada caso. O valor máximo é para clientes considerados tops e com pedidos especiais.
Mas os preços estão muito abaixo dos cobrados pelos que atendem aos famosos em consultorias de imagem, que vão de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil, com paradas obrigatórias nas lojas de grife. ''Tenho uma cliente que viu uma calça em uma dessas revistas de famosos. A peça era de um estilista francês. Consegui montar uma igualzinha e a moça, uma recepcionista, realizou o sonho, já que jamais teria acesso ao original'', conta a personal stylist Bianca Almeida Lopes, de 24 anos.
Compras A dona de casa Eliane Picucci, de 40 anos, foi a um churrasco de confraternização da empresa em que o marido trabalha. ''Estava me sentindo insegura em ir com uma roupa imprópria.'' Mas a personal conseguiu para ela um macacão e um lenço florido. ''Nunca teria idéia de procurar uma roupa como essa'', conta.
A microempresária Nagina Estevam Morettin, de 25 anos, moradora do Tucuruvi, zona norte de São Paulo, enfrentava há anos verdadeiros dramas nessa época do ano. Apaixonada por sol e praia, ela não conseguia encontrar um biquíni que ficasse bonito, já que usa numeração diferente nas duas peças. ''Cheguei a comprar biquínis que odiei ou comprar dois para formar um único conjunto. Mas sempre me sentia horrível na praia'', conta Nagina. Ela pagou R$ 80 por uma consulta e a personal percorreu muitas lojas tentando encontrar o que agradaria à jovem. Depois foram juntas e Nagina experimentou várias peças: ''Adorei o resultado. Isso me fez feliz. Pode parecer bobagem para algumas pessoas, mas era muito importante para mim.''
Para ser personal stylist, além de estar por dentro da moda é preciso ser um pouco psicólogo. É o que garantem os profissionais. Afinal, grande parte dos clientes tem segundas intenções quando procuram seus serviços. ''É muito comum mulheres que acabaram de se separar e querem mudar o estilo ou uma pessoa que está querendo conquistar a outra e quer montar uma estratégia de sedução'', explica a personal Ana Ribeiro, de 36 anos. Ela lembra também que é comum o caso de mulheres que sempre foram recatadas e um dia resolvem abusar dos decotes. Entre uma peça e outra, os clientes contam suas vidas e suas necessidades, que muitas vezes vão além de uma mudança no guarda-roupa. ''A moda tem relação direta com a personalidade'', diz Ana.
Moda e comportamento estão tão interligados que alguns cursos ensinam até cromoterapia. ''Você não vai colocar um preto em uma cliente que está deprimida, mas uma cor vibrante'', diz Ângelo Barbosa, de 32 anos, coordenador do curso de Produção de Moda da escola Sigbol Fashion Moda. Na sua opinião, as classes com menor poder aquisitivo estão tendo acesso aos serviços de personal stylist porque a moda se democratizou: ''Nos anos 80, as pessoas não entendiam quando se falava de tendência de moda. Hoje, com a comunicação, as pessoas sabem o que se está usando e querem participar.''
Ângelo, que também trabalha como personal stylist, defende que são os menos privilegiados que precisam desses profissionais. ''Rico entra na Daslu ou em lojas de grife e sai pronto. É difícil errar. Quem realmente precisa de ajuda são as pessoas que não vivem essa realidade.''
O professor de marketing do curso de Moda da Universidade Anhembi-Morumbi, Armando Lourenço, de 40 anos, diz que o crescimento do trabalho do stylist é um reflexo do aumento na procura do setor de serviços: ''É um serviço que está crescendo como os demais.'' Ele não acha, entretanto, que vai chegar a se popularizar, a ponto de ser usado nas classes C e D.

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