A adolescência, todo mundo sabe, é uma época de descobertas, de desafios e de hormônios a todo vapor. Com tudo isso junto, as paixões são algo difícil de se evitar nessa idade, principalmente nas escolas. Com o convívio diário de pelo menos quatro horas, os jovens têm a possibilidade de se conhecer melhor, de criar vínculos e de se interessar uns pelos outros. Por isso, outra responsabilidade das instituições de ensino é lidar com os corações apaixonados e confusos dos jovens.
Para o diretor do Colégio Maxi, Virgílio Tomasetti Júnior, o relacionamento entre alunos na escola é normal. ''É mais fácil que eles encontrem alguém dentro da escola do que em um bar ou boate. Acho até que seja melhor porque aqui eles podem se conhecer com calma, saber quem é a família da pessoa, do que ela gosta, se é um bom aluno ou não. Principalmente para as meninas, que escolhem mais seus companheiros, acho saudável encontrar o namorado dentro da escola.''
Mas isso não significa que os alunos são livres para namorar à vontade nos pátios do colégio. O diretor esclarece que exageros são imediatamente coibidos pelos inspetores que circulam pelos corredores. ''Digo que demonstrações calorosas de amor são reprováveis. Nossos alunos podem andar de mãos dadas e se abraçar, mas beijos são proibidos. É claro que os selinhos acabam acontecendo, porque nem chegamos a ver, mas beijos longos e outros abusos nós não aceitamos'', garante.
A idade também é controlada. Alunos do ensino fundamental são proibidos de namorar, mesmo com a permissão dos pais. ''Acreditamos que eles não tenham maturidade emocional para se envolver com alguém e que isso possa atrapalhar nos estudos'', justifica Virgílio.
Ficar A psicóloga da escola, Celi Lovato, garante que não são raros os casos de alunos com problemas por causa de namoro. ''Quem mais procura ajuda são as meninas, mas os rapazes também estão se abrindo mais. Principalmente em relação ao ''ficar'', que gera muita dor, por isso é importante trabalhar o aspecto psicológico para que não atrapalhe nos estudos'', diz.
Ela afirma que na maioria das vezes os alunos aceitam as restrições sem problemas. ''Quando acontece algum exagero, nós conversamos e eles entendem. O jovem gosta e precisa que lhe dêem limites, e os pais também gostam de saber que a escola se preocupa com essas questões'', comenta.
O casal Guido Toledo e Flávia Gonçalves, ambos de 18 anos, se conheceram no Maxi e namoram há dois anos. Ele diz que as regras hoje são mais liberais. ''Antes eles implicavam com qualquer coisa. Na escola é fácil rolar paquera porque tem um contato grande com as pessoas. Proibir não adianta'', afirma. Flávia conta que vários amigos já foram para a diretoria por abusos no namoro. ''Com a gente isso nunca aconteceu porque não exageramos. Mas é por uma questão de hábito mesmo, não acho legal ficar beijando dentro da escola'', diz.
Para aqueles que não se enquadram, o diretor é rigoroso na punição. ''Se for preciso, o aluno é suspenso e pode até ser expulso da escola. E se percebemos que o namoro está atrapalhando no rendimento, chamamos os pais para uma conversa'', garante. Em 18 anos de existência, o Maxi já teve 15 casais de alunos que se conheceram nas salas de aula e acabaram se casando. ''Digo que alguns alunos levaram vantagem aqui, porque além de estudar, encontraram o amor e estão felizes até hoje'', conta Virgílio.
Aviso na matrícula Mas nem todas as escolas permitem o namoro entre alunos. No Colégio Adventista, todas as demonstrações de envolvimento são proibidas. O vice-diretor da escola, Carlos Maciel, diz que alunos e pais são avisados das restrições ao namoro na hora da matrícula. ''Por isso, nunca precisamos punir nossos alunos, eles respeitam a regra e entendem a proibição. Eles podem namorar, temos alguns casais na escola, mas as demontrações de amor, como beijos e abraços, não são aceitas.
A razão para o controle é evitar que os adolescentes sirvam de exemplo para as crianças. ''Não achamos correto que os pequenos e os pais vejam os adolescentes se beijando. Aqui, eles devem se preocupar com os estudos'', afirma. Ele garante que a religião não é o motivo para a proibição. ''Boa parte de nossos alunos não é adventista e não é por motivos religiosos que proibimos demonstrações de carinho. Essa é a maneira que educamos e nosso diferencial em relação às outras escolas. Muitos pais preferem que seja assim.''n

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