É preciso ter bom senso
As biólogas e adestradoras Thais Vasconcellos Leal e Franciane Furlani também gostam de levar seus cães a todos os lugares. Os animais frequentam lanchonete, sorveteria, shopping e também viajam com suas tutoras. Franciane conta que veio de Campinas, no interior de São Paulo, e lá a aceitação de animais era um pouco maior.
"Desde bem novinha a Maria me acompanha nos lugares. Sempre íamos a um shopping onde ela não precisava ficar no colo, as pessoas paravam para fazer carinho nela. Sempre quis que ela pudesse participar do meu dia a dia, fica muito mais gostoso ir a um lugar sabendo que posso levá-la. Infelizmente ainda encontramos muitas pessoas que olham feio, que talvez se incomodem", afirma.
Thais explica que os cães ficam muito tempo sozinhos em casa enquanto ela e o noivo trabalham e, por isso, quando têm oportunidade de lazer, gostam de levar os animais. "Queremos aproveitar esses momentos ao lado deles. Adoramos estar com eles, porque são nossos filhos de coração. Escolhemos a dedo os lugares que frequentamos para que eles possam ir."
Entre as cidades que os cães já conheceram estão Campinas (SP), Maringá, Florianópolis (SC), Imbituba (SC), Blumenau (SC), Gaspar (SC) e Florianópolis (SC). Thais aponta que não é fácil encontrar hospedagem pet friendly e que alguns locais assim denominados acabam por colocar diversas restrições, como limitar o tamanho do animal ou não aceitar determinadas raças, estigmatizadas como violentas.
"Um fato engraçado aconteceu em Florianópolis numa lanchonete. A garçonete nos tratou super bem, ofereceu água para os cães, elogiou. Quando perguntou a raça dissemos 'Schnauzer, Srd e Pitbull'. Na hora que dissemos pitbull ela deu um pulo e se afastou. Depois explicou que sempre teve preconceito com a raça, que quando vê um na rua atravessa para o outro lado. Ela ficou surpresa por ele ser dócil e educado. Sinto que falta informação, estrutura, treinamento adequado para lidar com animais", pondera.
Como nem todas as pessoas têm intimidade com animais, antes de sair com seu cão por aí é importante avaliar o comportamento dele. Thais recomenda que o animal seja dócil e se comporte bem, sem pular nas pessoas, latir, subir na mesa, marcar território ou avançar em outros animais. Levar coleira e guia, além de saquinho para recolher as fezes, é fundamental.
"Se os tutores tiverem essa consciência de educar seus cães desde cedo a conviverem em sociedade, com certeza seria mais fácil os estabelecimentos permitirem a presença dos animais. Muitos relatam já terem tido experiências ruins e após isso barraram a entrada de cães. Temos que ter bom-senso. Não podemos pensar só em nós e tornar o ambiente desagradável com um cão que irá ficar latindo o tempo todo e incomodando, ou cães que irão pular em outras pessoas. Tem gente que tem medo e temos que respeitar isso", orienta Thais. (E.G)







