O personagem mais emblemático para ilustrar um sentimento de frustração é, com certeza, o goleiro Moacir Barbosa. No dia 16 de julho de 1950, o Maracanã e o Brasil ficaram estarrecidos quando ele tomou o gol que deu ao Uruguai o título de Campeão do Mundo de Futebol. Os jogadores e o povo brasileiro tiveram que assistir com um nó na garganta a festa dos uruguaios dentro de casa. A frustração daquele momento acompanhou Moacir Barbosa até sua morte, em abril deste ano.
A frustração derruba, magoa, dói, mas é inevitável. Viver sem ela, impossível! O pior é que a dor desse sentimento é proporcional à expectativa: quanto mais se deseja uma coisa – passar no vestibular, ganhar uma competição, e conquistar um emprego – maior será a sensação de fracasso caso não se consiga atingir a meta planejada. Como será que Rodrigo Pessoa se sentiu quando seu cavalo refugou e ele perdeu a tão sonhada medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Sidney? Afinal, foram quatro anos de preparação e um país inteiro esperando pela última chance do ouro olímpico.
A psicóloga clínica Patrícia Ramos é categórica: ‘‘A melhor forma de superar uma frustração é viver o momento. Chore, grite e coloque pra fora toda a sua revolta porque nenhuma palavra de conforto vai amenizar a dor. Quem está por perto pode apenas dar uma demonstração de carinho, como um abraço, mas não adianta dizer nada. É como em um velório, não existe uma palavra mágica a dizer para quem acabou de perder um ser amado’’, compara.
Patrícia Ramos diz que o importante é saber lidar com a frustração. ‘‘Todas as perdas geram oportunidades e também perigos. Existem pessoas que aprendem muito com os fracassos; outras paralisam e não conseguem dar a volta por cima. Fracasso não é sinônimo de incompetência porque nem tudo na vida depende exclusivamente de voc꒒, observa a psicóloga.
Perdas e ganhos Ela acrescenta que a vida é feita de perdas e ganhos. ‘‘Ao nascer, perdemos o aconchego do útero materno, mas ganhamos uma família’’. Patrícia destaca que quem tem auto-estima e aprendeu desde criança que não se pode ter tudo na vida, saberá lidar melhor com a frustração. Quem não sabe driblar a derrota, que faz parte da vida, será um eterno sofredor’’, afirma.
A psicóloga discorda que a frustração é mais dolorida dependendo da idade da pessoa. ‘‘Quando um jovem sofre uma derrota, ele pode ter mais chances e tempo para dar a volta por cima, mas uma pessoa de 50 anos tem a seu favor a experiência, a maturidade para encontrar saídas. Porém, tudo vai depender de como a pessoa foi educada e preparada para a vida’’, reforça.
Patrícia Ramos explica que em tudo o que fazemos existe o real e o ideal. ‘‘O real é o que há de fato, o ideal é o que você almeja. Quando o ideal é muito maior que o real, a frustração será mais intensa. Quando uma mulher se casa esperando ter um marido ideal, ela vai se frustrar com o casamento porque, na verdade, ela vai ter um marido real. Portanto, nós temos que ter expectativas, mas dentro do real’’, afirma. O consolo é que o gosto amargo da frustração atinge todo mundo: pobres, ricos e famosos. Brat Pitt disse em uma entrevista que sua grande frustração era não poder andar tranquilamente pelas ruas.

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