Aos 61 anos de idade, aposentada e mãe de três filhas, Erci Falaschi acorda todos os dias às 6 horas. Quarenta minutos depois já está na academia, munida de muita disposição e bom gosto no quesito roupa fitness. Há onze anos, de segunda a sexta-feira, ela intercala suas atividades físicas entre as aulas de Body Pump (ela levanta mais de 30 quilos no agachamento), Body Jam e corrida (são 10 quilômetros duas vezes por semana).
O banho de disposição que ela dá em muito marmanjo não para por aí. No decorrer do dia, divide seu tempo entre trabalhos na igreja, onde coordena a Pastoral de Grupos Bíblicos de Reflexão, e trabalho voluntário, visitando crianças doentes no Hospital Infantil. Aos domingos, ela é presença indispensável na missa, onde é responsável pela leitura da Bíblia. E sempre que pode, faz viagens para dentro e fora do Brasil. A próxima será um tour por Israel, Grécia e Turquia.
Se o sol brilha nas manhãs de domingo, lá está Erci reforçando o bronze no clube, sempre na companhia de um bom livro. Se o tempo não colabora, lê notícias na internet, atualiza sua página no Facebook, além de conversar diariamente com as filhas via WhatsApp, aplicativo de mensagens simultâneas de smartphones.
A personagem desta reportagem é o retrato das pessoas que se encaixam no termo "envelhecimento ativo", adotado pela Organização Mundial da Saúde para expressar a visão de que se quisermos que o envelhecimento seja uma experiência positiva, a vida deve ser acompanhada de oportunidades contínuas de saúde, participação e segurança.
À medida que cresce a expectativa de vida, é preciso mais que aceitar a velhice, é preciso saber envelhecer. "O segredo é conservar a autoestima, ser interessante para si próprio e para os outros. Amar a vida, as pessoas, ter sonhos, ocupar a mente com atividades. Há 11 anos faço ginástica, faz bem para o corpo, para alma. É minha grande aliada para enfrentar o dia a dia. Faço exames todos os anos e minha médica sempre diz que tenho uma saúde de ferro. Mas não seria assim se eu não fosse ativa como sou", diz Erci Falaschi.
A aposentada faz parte de uma parcela de pessoas que entraram para a terceira idade entendendo que a velhice está implícita na juventude, da mesma forma que a morte na vida, e aceitando os aspectos opostos da existência.
"Envelhecer não é fácil, você precisa aceitar as limitações que a idade te impõe. Por isso é preciso estar bem com a gente para poder aceitar. Eu sempre busquei a saúde física e mental, não esperei chegar aos 60 para fazer isso. Minha idade nunca foi um problema para mim, muito menos nos lugares que frequento. Todos me respeitam. Estou sempre bem-humorada, mas é claro que tenho problemas, só que meus motivos para sorrir são maiores dos que os que me deixam triste", conta ela.
Falante, de bem com a vida e moderna na medida certa, Erci acredita que a velhice acontece ao longo da vida, vivendo. Segundo ela, os anos vão se sucedendo no nosso fazer, descobrir e viver.
"Na terceira idade a pessoa tem os mesmos sentimentos, só que valoriza bem mais a qualidade do que a quantidade das coisas. Respeito quem não tem a mesma disciplina e perseverança que tenho. Mas acredito que preciso cuidar da vida que Deus me deu, é um dom maravilhoso. E sempre digo, se tirarem Deus da minha vida, não sou nada."

Imagem ilustrativa da imagem É preciso saber e querer viver
Erci Falaschi, de 61 anos, faz exercícios físicos diariamente e cultiva a espiritualidade e o bom humor: "Sempre busquei a saúde física e mental, não esperei chegar aos 60 para fazer isso"



Leia também:

- ‘O importante é continuar ativo’

mockup