É possível envelhecer bem
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quinta-feira, 27 de setembro de 2001
Celso Mattos 
Envelhecer é humanamente natural e, portanto, não deve ser encarado apenas como um processo de perdas. Além de anos, ganha-se experiência, sensibilidade e liberdade para colocar em prática antigos projetos. O importante é saber viver bem todas as etapas da vida e se preparar para uma velhice saudável e ativa porque um dia ela chegará, com certeza.
Para o médico geriatra Marcos Cabrera, o envelhecimento é uma época de transformações, na qual se perde mas também se ganha. ''A pessoa não poderá subir uma escada com a mesma agilidade de antes, a aparência fica comprometida com as marcas do tempo e o organismo fica mais sujeito a doenças. Mas, por outro lado, ganham-se novos valores e a vida fica mais depurada'', observa o médico.
O geriatra defende que como a expectativa de vida está aumentando, as pessoas e a sociedade precisam se preparar mais para a velhice. ''O indíviduo tem uma tendência a achar que não chegará a uma determinada idade. Aos 50 anos, por exemplo, ele acredita que não chegará aos 60 anos. Esse pensamento pessimista faz com a pessoa deixe de investir na vida e acaba perdendo espaço, o que é muito negativo porque o idoso precisa ter um papel ativo na sociedade, pois ele continua sendo um cidadão'', salienta.
Segundo Marcos Cabrera, os grupos de terceira idade precisam investir nessa política de inserção. ''Esses grupos são importantes, mas não podem funcionar como mecanismo de isolamento do idoso, mas sim de integração. Caso contrário, acabam contribuindo para aumentar o preconceito'', alerta.
Depressão Ele acrescenta ainda que nem todos os idosos se adaptam bem a esses grupos. ''Ao contrário das crianças, que são bastante parecidas, os idosos são heterogêneos porque a vida lhe dá valores muito diferentes, portanto, nem todos gostam das atividades desenvolvidas nesses grupos e isso precisa ser respeitado, principalmente pela família'', pondera o geriatra.
Outro erro, segundo o médico, é considerar que a apatia é uma característica natural nessa fase da vida. ''A depressão não é normal na velhice e, quando ela aparece, precisa ser diagnosticada e tratada. É errado pensar que a tristeza é um comportamento natural de quem já passou por muitas perdas. Outro erro é encarar a velhice apenas como um processo de perdas. A felicidade não se resume em subir uma escada mais rápido ou mais devagar. Ganhe-se muito com o tempo em termos de experiência, aumento da efetividade e compreensão do mundo'', destaca Cabrera.
Ele informa que, no início deste ano, fez uma pesquisa com os adolescentes para saber o que eles pensavam da velhice. ''Eu apresentei o resultado em um congresso de geriatria e, por incrível que pareça, a opinião dos adolescentes foi muito semelhante àquilo que nós geriatras defendemos. Ou seja, os idosos precisam passear, namorar, trabalhar, estudar e participar da sociedade que eles ajudaram a construir. Meu grande sonho, como geriatra, é vê-los incluídos na sociedade de forma ativa. E esse deve ser o principal objetivo dos grupos da terceira idade'', defende o médico.
O geriatra reconhece que esses grupos não atendem a todos os idosos como, por exemplo, àqueles que estão em asilos. ''Esse é um problema que a sociedade e o governo precisam resolver, pois a população de idosos está aumentando e a expectativa de vida também. A geração atual precisa estar preparada para viver, aproximadamente, até os 80 anos'', calcula Marcos Cabrera.


