E o mundinho se expandiu...
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
Um público diferente circulava pela Bienal nesta SPFW. Depois de esperar horas para entrar no prédio, quem tinha a sorte de conseguir um convite de alguma alma fashion bondosa ou de conhecer um amigo de um amigo que trabalhava em um estande do evento, podia, enfim, adentrar no reduto destinado apenas a profissionais e iniciados (aqueles que têm alguma relação com a moda).
Munidos de câmara digital equipamento obrigatório para comprovar o feito aos amigos eles seguiam à caça de celebridades, seja das tops mais conhecidas ou dos famosos que ocupavam as primeiras filas das apresentações. Os tais penetras ganharam até uma definição dos jornalistas especializados: wannabes (algo como os que querem ser).
Tem um convite sobrando aí? era o que mais se escutava às portas das salas de desfile. Olha a Mariana Weickert ali. Não, aquela é a Ana Beatriz Barros, debatiam os amigos sortudos que após um longo percurso de ônibus, e mais um tempo de espera na fila do standing conseguiam lugares na fila G.
Curioso observar como um evento, elitista por natureza, conseguiu tamanha popularização em oito anos de existência. Nomes antes restritos ao pequeno universo dos que entendiam de moda, hoje estão na boca de pessoas comuns. Você está indo ao desfile do Herchcovitch?, perguntava um taxista durante a sua décima corrida ao Ibirapuera.
Atores, atrizes, artistas em geral continuam sendo desejados pelos estilistas nas primeiras filas de suas salas, mas eles não são mais as únicas garantias de mídia certa. Um show de moda, por si só, já tem apelo suficiente. A ponto de inverter a equação: quem precisa ser visto agora vai à SPFW. Não é à toa que o evento virou até cenário de novela...


