Cleide Cavalcante
Agência Estado
O que fazer para que o casamento não se transforme numa enorme frustração? Pensando nisso, o psicólogo John Gottman realizou uma pesquisa, durante 20 anos, com dois mil casais. O resultado de seu trabalho está no livro ‘‘Casamentos - Por que Alguns Dão Certo e Outros Não’’ (Editora Objetiva). Ao fazer uma análise dos casais, Gottman explica que os sinais de descontentamento conjugal costumam ser expressos até através de pequenos sinais como ‘‘a jaqueta jogada sobre os ombros’’. Ou ainda, quando casal se afasta no tempo livre, nos finais de semana, por exemplo. Um distanciamento que indica que marido e esposa já estão vivendo em mundos paralelos. Entretanto, na opinião de Gottman, o casamento pode dar certo, desde que para isso se utilize doses certas de paciência e negatividade.
Mas que força é esta que transforma uma grande paixão em algo tão desprezível? ‘‘Ao tentar descobrir o que leva um casamento à destruição ou à continuidade, percebi que grande parte do conhecimento consensual - mesmo entre muitos terapeutas de casal - está em desacordo ou completamente equivocada’’, revela o psicólogo.
Segundo ele, determinados padrões conjugais, como as discussões, podem sinalizar um ponto favorável para o casal. ‘‘A briga - visando à expressão de queixas e ressentimentos - pode ser uma das atitudes mais saudáveis que um casal pode ter em favor do relacionamento’’. O estilo da discussão é uma das maneiras mais eficazes de diagnosticar a saúde do casamento. A obra de Gottman tenta fazer com que os casais aprendam a identificar suas próprias falhas, a partir de uma nova ótica sobre o casamento. ‘‘É claro que nem todos os casais devem permanecer casados. Mas considero preocupante o fato de que a maioria das pessoas que está se casando hoje não será capaz de alimentar e manter sua relação mais preciosa - sobretudo porque, creio eu, um diagnóstico correto dos erros num casamento pode ajudar qualquer casal a construir um elo mais forte’’, observa o psicólogo.
Prevenção do divórcio Gottaman destaca que muito se tenta encontrar razões para os divórcios, mas que pesquisas do tipo, normalmente, não passam de pura especulação. ‘‘Especulações não são muito úteis quando você está tentando superar suas dificuldades conjugais. Se no momento você está casado, ou pretendendo casar-se, o que mais quer saber é como evitar o lado deplorável das estatísticas’’, defende. Tem mais. Para o especialista, ‘‘um casamento duradouro é resultado da capacidade do casal em solucionar os conflitos que são inevitáveis em qualquer relação’’.
Segundo ele, o fato de o casal nunca ter discutido, jamais pode servir de artifício para se medir o relacionamento. Pois é justamente apontando as diferenças que se alcança mais amor. ‘‘Este processo, acrescenta Gottaman, é permeado por três estilos: num casamento de validação, os casais costumam chegar a um acordo e solucionam com calma os problemas que vão surgindo, de modo a alcançar a satisfação mútua; num casamento de evitação, os casais concordam sem discordar, raramente mergulhando de cabeça em suas diferenças; num casamento volátil, o conflito irrompe com frequência, resultando em discussões acaloradas.
Complexidade De acordo com o psicólogo, suas pesquisas indicaram que os três estilos são favoráveis para um bom casamento. ‘‘É claro que a prática de um desses três estilos não irá assegurar um casamento feliz. Essas adaptações só funcionam na medida em que permitam alcançar o equilíbrio correto entre as interações positivas e negativas com seu cônjuge’’. Ou seja, o equilíbrio é a base essencial de todo o sucesso, desde que mesclado a momentos fartos de positividade. Caso contrário, a frustração tomará conta do relacionamento.
‘‘O casamento é uma relação extremamente complexa e não existe um único teste capaz de prever a sobrevivência ou dissolução do relacionamento com 100% de acerto’’, comenta. ‘‘Você e seu parceiro são as únicas pessoas que conhecem os sacrifícios e recompensas de seu casamento, e são os únicos capazes de decidir o futuro deste’’. O livro traz, ainda, exercícios, testes e conselhos, além de relatos de pacientes do psicólogo.

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