É impossível dormir
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de setembro de 2002
Henrique Skujis<br> Agência Estado 
Luiz vira pra cá. Vira pra lá. Fica de barriga pra cima. Fica de barriga pra baixo. Liga a TV e coloca uma fita de vídeo de um jogo de futebol ao qual já assistiu dezenas de vezes. Olha para o relógio. Tic, tac, tic, tac. Implacável, o tempo passa.
O empresário desliga a TV e pega mais um travesseiro. Acende algumas velas na cabeceira da cama. Busca um pacote de biscoito na cozinha e come junto com um copo de leite. Começa a mexer em papéis referentes ao trabalho. Olha o relógio de novo. Tic, tac, tic, tac.
Cansado, volta a tentar dormir. Tic, tac, tic, tac, tic, tac. Em breve, o despertador vai gritar e ele precisará estar de pé, pronto e disposto para mais um dia no comando de suas duas empresas. Tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac...
Ele, você e meio mundo estão sujeitos a noites como essa, na qual cair nos braços de Morfeu é tão difícil quanto aprender chinês. Al Pacino, na pele do detetive Will Dormer, em ''Insônia'', filme em cartaz no Brasil, também atravessa longas noites sem conseguir pregar os olhos.
Na película norte-americana, o policial rola na cama e, para vencer a falta de sono, tenta evitar a entrada de claridade pela janela. A tarefa é difícil, pois o suspense se passa em Nightmute, no Alasca, onde o sol não se põe jamais no verão.
Justificando o filme, o neurologista Luciano Ribeiro, de São Paulo, que também já teve suas noites em claro diz que ''nosso ritmo biológico é ciclado pelo claro e pelo escuro''. n


