É diferente e faz bem
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quinta-feira, 07 de abril de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Vai fazer ginástica? Esqueça a esteira, a bicicleta e os mais variados pesos. Pense em cama elástica, trapézio, malabares e longas faixas de tecido. Estranho? Não para quem já aderiu a um jeito bem diferente de se exercitar, os alunos do curso livre da Escola de Circo de Londrina.
Há pouco mais de duas semanas, a estudante Caroline Luz Mendes, 20 anos, trocou as aulas convencionais de ginástica para iniciar uma descoberta pelo que até bem pouco tempo atrás era de domínio dos artistas circenses. ''Já senti uma diferença na respiração, que está bem mais fácil quando eu caminho'', explica a estudante, que não pensa em trocar novamente. O amigo Gilberto Oliveira Endo Ougo, 15 anos, só fazia exercícios no colégio por conta da Educação Física. E mais nada. ''Mas isso aqui é melhor do que academia. Deve ser'', avisa.
Olhando para a turma de adultos, que nos dias mais concorridos chega a ter 60 alunos (a média é de 40), percebe-se que a idéia do condicionamento físico alternativo já não é mais privilégio de poucos. As crianças também têm vez. A partir dos 6, 7 anos podem se unir à garotada de até 12, 13 anos e todos se mostram encantados a cada novo exercício. Se bem que, a animação infantil acaba contaminando os mais velhos também, que começam a aula logo em seguida.
Se não há criança que não goste de circo, a proximidade com o picadeiro também transforma gente grande em ''baixinho'' outra vez. Rob Silva, professor e presidente da Associação Londrinense de Circo que mantém a escola numa parceria com a Secretaria Municipal de Cultura , diz que além de ser uma forma alternativa de condicionamento físico, as aulas também são ''uma opção alegre de fazer exercício'', conta.
''O aluno aqui se exercita se divertindo'', garante Silva. ''Ele vai realizando o exercício e nem percebe'', completa. E como se preocupar com quais músculos estão sendo trabalhados em pleno salto mortal ou mesmo numa cambalhota? Com formação em ginástica olímpica, balé clássico e capoeira, Rob Silva deu aulas na Escola de Circo Picadeiro, em São Paulo, passou dois anos viajando com um circo tradicional pelo Brasil até se unir à trupe londrinense Aero Circus.
''Em São Paulo, algumas academias já aderiram às aulas de circo'', explica Silva. O chamado ''novo circo'' tem muito a ver com essa tendência, que não é lá muito nova. ''A escola Picadeiro já fazia isso no início dos anos 1990'', lembra. O divisor de águas, como chama Silva, entre o velho e o novo é o canadense Cirque du Soleil, que revolucionou o mundo com suas performances misturando ingredientes de dança, ópera com cenários e figurinos diferenciados.
''Se é para se fazer uma relação com o esporte, dá para dizer que o aluno aqui compete consigo mesmo para superar seus medos e limites'', diz o professor. A estudante Caroline, por exemplo, já planeja anotar correndo no diário o momento em que conseguir chegar nas alturas do tecido uma longa faixa que os artistas-alunos ''escalam'' e fazem acrobacias e piruetas. ''Por enquanto não consegui ir muito alto'', conta.
Nos últimos três meses, além das três aulas semanais de uma hora cada, o garoto Luiz Guilherme Teixeira Crusiol, 12, também teve muita dedicação em casa. ''Se não estava muito cansado, ficava até uma hora e meia treinando'', lembra. Com claves de jornal repetia à exaustão os exercícios de malabares. Aprendeu tão bem que se apresentou na escola e também em uma festa. ''Também já dei entrevistas para a televisão'', lembra. Não fica envergonhado? ''Sabe como é, é vida de artista'', brinca. O objetivo do garoto agora é passar a fazer malabarismo com quatro claves.
Serviço:
Curso Livre de Circo: mensalidade R$ 40 para três horas semanais. Fone (43) 3324-0159


