Um dificultador na parceria entre pais e educadores é a falta de comprometimento. "O que ocorre hoje é que um fica esperando o outro. Os pais deixam muito a responsabilidade para a escola e a escola fica esperando tudo dos pais. É preciso reunir os dois para que a educação seja completa. Os pais vão ter que trabalhar menos e ficar perto dos filhos. Também é muito comum que o pai fique contra o professor quando é chamado na escola. Isso é muito complicado", afirma o psicoterapeuta Ivan Capelatto.

O profissional acredita também que é preciso que os professores se aproximem das crianças. "Eles têm que conhecer melhor as crianças e individualizá-las mesmo em uma sala de 40 alunos. Chamar as crianças pelo nome, ajudá-las nas dificuldades e escutá-las. Isso vai diminuir o tempo efetivo dele como professor em sala de aula? Vai. Mas é necessário para que a escola não seja uma empresa, mas sim um lugar de educação. E educação envolve afeto."

De acordo com Capelatto, hoje se imagina que as crianças se desenvolvem sozinhas devido ao acesso à informação, o que não ocorre de fato. "O intelecto da criança se desenvolve com a informática e os jogos, mas o afeto não", analisa. "O afeto do pai pelo filho também ficou muito relativo. Hoje o filho é como um bem de consumo. Os pais querem saber que nota ele vai tirar, para onde eles vão no final de semana, mas o afeto fica contido", complementa.

No caso da escola, Capelatto é enfático: "a vida intelectual é muito boa, mas é a vida afetiva que dá cor à vida". Para o psicoterapeuta, o resultado dessa valorização do intelectual em detrimento do afeto resulta em profissionais frustrados. "Quando se deixa de lado o afeto você não constrói personalidades e identidades, você constrói pessoas 'fake'. Eu chamo de pessoas travestidas de médico, de professores... É aquele sujeito que quando chega segunda-feira se sente infeliz." (B.Q.)

Imagem ilustrativa da imagem 'É a vida afetiva que dá cor à vida'
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