Se há dúvidas na terapia de reposição hormonal para mulheres, na dos homens mais ainda. O assunto é novo mesmo para renomados especialistas. Há muitas perguntas sem resposta e estudos de longo prazo são necessários.
O ponto de partida de muitas das dúvidas é a falta de limites bem estabelecidos de quanta testosterona um homem deve ter de acordo com a faixa etária. Tudo o que se sabe é a faixa de normalidade (de 300 a 1.000 nanogramas por decilitro) para homens em geral, independente da idade que têm.
Só que é natural que homens mais velhos tenham menos testosterona do que os jovens. É o limiar da normalidade e do anormal que permanece desconhecido. ''Todos os homens têm queda de testosterona'', explica Louis Gooren, professor da Universidade Vrije, na Holanda. ''Muitos em idade correta, outros não.''
Outra dúvida que permanece sem solução é até quando um homem que faz reposição de testosterona deve fazer o tratamento. ''Como ainda não sabemos, a reposição só deve ser feita até quando o paciente não tiver contra-indicações'', diz Gooren. Entre elas, estão câncer de próstata e de mama, além de cirrose do fígado. ''Enquanto não existir um estudo grande, temos de usar a terapia com cautela'', reforça Eric Roger Wroclawski, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia.
Riscos Como todo medicamento, a testosterona tem efeitos colaterais: dos mais simples como queda de cabelo, aos mais complexos, como aumento da viscosidade do sangue. É para controlar os riscos que o tratamento deve ser monitorado a cada seis por seu médico. Próstata, sangue e fígado são os principais pontos de atenção para evitar o desenvolvimento de doenças.
Estudos em animais de laboratório mostraram que suplementação com testosterona está associada a desenvolvimento de câncer de próstata. O hormônio não causa a doença, mas pode acelerá-la.
Mas há pesquisas que indicam que a testosterona traz benefícios, quando bem utilizada. Uma delas revela que o hormônio melhora a densidade óssea, o que reduz o risco de osteoporose. ''Mas só tem benefício o homem com baixa testosterona'', completa Gooren. A reposição também é capaz de aumentar a massa muscular. Há indícios de que ela controla o acúmulo de gordura abdominal, que é fator de risco para doenças do coração. (L.M./AE)

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