Drible a pedra de seus rins
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de junho de 2002
Jocelem Mastrodi Salgado<BR>Agência Estado 
Os cálculos renais, popularmente conhecidos como pedras nos rins, são formados quando a concentração de alguns componentes da urina (ácido úrico, cálcio, fósforo, cistina) se eleva a ponto de ocorrer a agregação em forma de cristais. Esses cristais usualmente são removidos do corpo pelo fluxo natural da urina, mas, em certas situações, aderem ao tecido renal ou ficam em áreas de onde não podem ser removidos. Essas pedras no início são bem pequenas, mas podem crescer e chegar a ter o tamanho de um caroço de azeitona.
A doença atinge 5% da população mundial sendo que ataca três vezes mais homens do que mulheres. A maioria dos casos é diagnosticado em pessoas entre 30-50 anos de idade, por isso a prevenção deve começar na infância, com a educação alimentar.
Aproximadamente uma em cada 200 pessoas desenvolve pedras nos rins. Cerca de 80% destas pessoas eliminam a pedra espontaneamente junto com a urina. Os outros 20% restantes necessitam de alguma forma de tratamento. Geralmente, 50% das pessoas que já sofreram um episódio de cálculo renal podem também desenvolver a doença novamente, num prazo de 5 a 10 anos; por isso, é importante manter as medidas preventivas.
Sintomas O cálculo renal é considerado uma doença silenciosa, pois os sintomas somente vão se manifestar quando as pedras já estiverem instaladas. Alguns cálculos podem permanecer assintomáticos (sem sintoma algum), não requerendo tratamento algum, mas podem obstruir e machucar partes do trato urinário ao tentar passar junto com o fluxo normal da urina.
A dor causada por um cálculo é descrita como a mais severa dor que uma pessoa pode experimentar, ocorrendo na porção inferior das costas ou no abdome. Essa dor pode ser tanto constante como descontínua e pode vir acompanhada de náusea, vômito e sangue na urina. A presença de uma urina com odor fétido, febre e calafrios pode indicar a presença de infecção associada, que pode resultar em uma enfermidade mais séria.
Para evitar novas ocorrências, é importante determinar a causa dos cálculos renais. A maioria é formada de oxalatos de cálcio ou de fosfato de cálcio. Em menor proporção, as pedras podem se formar de cristais de ácido úrico, especialmente nas pessoas com gota. Um quarto tipo, cálculos cistinos, ocorre em raros casos de doenças metabólicas.
Predisposição
A formação de um cálculo renal geralmente resulta de múltiplos fatores que atuam em um indivíduo suscetível ao problema, como:
Idade: mais comum na faixa etária média (30 a 50 anos)
Sexo: três vezes mais comum em homens do que em mulhers
Atividade: imobilização ou perda excessiva de líquidos através do suor
Clima: em climas quentes ou durante os meses de verão. Habitantes de climas quentes como algumas cidades nordestinas, por exemplo,têm maiores chances de desenvolver o problema, pois desidratam-se mais rapidamente, o que torna a urina mais concentrada
Distúrbios genéticos: como gota, cistinúria, hiperoxaluria primária, casos de cálculos urológicos na família
Distúrbios metabólicos: como problemas renais endócrinos e intestinais que aumentam a quantidade de cálcio e oxalato no sangue e na urina Outros: uso incorreto de medicação, infecção urinária, baixo consumo de líquidos, desordens alimentares. (J.M.S.)
Prevenção
A melhor forma para quem quer prevenir ou evitar a reincidência de cálculos renais é incorporar hábitos saudáveis diários, ou seja, praticar exercícios, adotar uma dieta saudável reduzindo o consumo de alimentos de origem animal e aumentando o consumo de frutas cítricas , e acima de tudo, tomar mais água. É essencial beber bastante líquido para manter o equilíbrio e eliminar os minerais que se acumulam para formar as pedras. O ideal é tomar entre 2,5 a 3 litros de água por dia. O líquido aumenta a movimentação das partículas dentro do organismo e, com isso diminui a chance delas se concentrarem e se aglomerarem nos rins. Também podem ser necessárias mudanças na dieta.
Apesar de a maioria dos cálculos conter cálcio, não é uma boa idéia diminuir esse mineral da dieta, a não ser que seja especificado pelo médico. Se o corpo humano não receber uma dose suficiente, ele roubará o cálcio dos ossos, aumentando o risco de osteoporose.
Às vezes, o aumento da quantidade de cálcio pode ser devido ao grande consumo de sal. O sal favorece a eliminação do cálcio pela urina aumentando a chance desse mineral alojar-se nos rins. Por esse motivo, o consumo de sal não deve exceder a 6 gramas por dia. É importante ressaltar que não adianta apenas controlar o uso do saleiro, mas também a quantidade de sal nos alimentos já processados como os enlatados e os embutidos.
As carnes vermelhas, além de serem consumidas geralmente bem salgadas, possuem muita proteína. Em excesso, esse nutriente tem o mesmo efeito do sal, ou seja, estimula a saída de cálcio pela urina. Essas mesmas proteínas favorecem o organismo a retirar mais cálcio dos ossos, tornando-os mais frágeis. (J.M.S.)
Alimentação
A maioria das pessoas com cálculos renais poderia reduzir o risco de nova ocorrência apenas aumentando a ingestão de líquidos (a ponto de excretar cerca de dois litros de urina por dia) e reduzindo a quantidade diária de proteína ingerida a um máximo de 50 gramas a melhor forma de reduzir a quantidade de proteína diária seria a redução no consumo de alimentos de origem animal. Entretanto, para aqueles que passam nesse exato momento pelo problema, é importante a adoção de uma dieta restrita em proteínas e oxalatos, até que tudo seja amenizado e volte ao normal.
Embora se saiba muito sobre as circunstâncias de formação de cálculos, os mecanismos ainda permanecem obscuros. Por exemplo: a urina normalmente contém substâncias químicas que inibem a formação de cristais, mas ninguém sabe porque estes inibidores não funcionam para todos. Tampouco se sabe porque se formam em alguns indivíduos, mas não em outros com as mesmas condições epredisposição.
Enquanto não existirem explicações para tudo isso drible a pedra de seus rins praticando mais exercícios físicos, incorporando hábitos saudáveis no seu cotidiano, mudando a sua dieta, ou seja bebendo mais água, reduzindo o consumo de carne vermelha e controlando o sal. (J.M.S.)
Serviço
A nutricionista Jocelem Mastrodi Salgado é professora titular de Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz- USP. E-mail: [email protected]


