Desde que os anticoncepcionais surgiram, lá na década de 60, a vida das mulheres mudou bastante. Com a possibilidade de se evitar uma gravidez indesejada, veio a liberação sexual e, com ela, uma série de mudanças nos costumes da sociedade. E, agora, quase 40 anos depois dessa revolução, os anticoncepcionais continuam facilitando a vida das mulheres.
Com formulações modernas, eles ajudam a controlar a oleosidade da pele, prevenir o aparecimento de espinhas e melhorar outros sintomas causados por ovários policísticos, como ganho de peso e o surgimento de pêlos.
Segundo a ginecologista e obstetra Sandra Faria Cabrera, tudo isso acontece porque medicamentos como o Gracial, o Yasmin e o Selene, os mais populares dessa linha, possuem em sua fórmula um novo tipo de progesterona capaz de diminuir a produção dos androgênios (hormônios masculinos responsáveis pelos problemas citados acima) ou impedir a sua ação sobre o organismo.
''Todos esses problemas estão relacionados com a síndrome dos ovários policísticos. Os óvulos ficam retidos dentro dos ovários, que aumentam de tamanho e assumem o aspecto de vários microcistos em seu interior. Essa disfunção faz com que a produção de androgênios aumente e daí advém as consequências, como acne, pêlos'', explica.
Os vilões De acordo com a ginecologista, 90% dos casos de acne e oleosidade excessiva durante a adolescência são consequências dos ovários policísticos. Com a maturidade do funcionamento hormonal, esses sintomas tendem a desaparecer em dois ou três anos depois da primeira menstruação. ''Mas às vezes os problemas são tão grandes que atrapalham a vida da adolescente, diminuindo a auto-estima. Nesses casos, o uso de anticoncepcional é uma boa solução'', diz.
Para algumas mulheres, o problema perdura para toda a vida e traz complicações mais sérias. ''Quando a síndrome de ovários policísticos não acaba, a mulher adulta pode, além de continuar com os problemas de pele, ter ganho de peso e surgimento de pêlos, correr o risco de sofrer de infertilidade, diabetes, infarto e aumento da pressão arterial. Nesses casos, além da pílula, remédios mais específicos podem ser necessários'', alerta.
Mas em qualquer um dos casos, consultar um médico é sempre a melhor atitude. É importante lembrar que, apesar dos benefícios, o uso de anticoncepcionais traz riscos à saúde que devem ser avaliados por um profissional. ''Os anticoncepcionais modernos funcionam para tudo isso que foi dito e também protegem a mulher contra o câncer de ovário, de útero e da displasia mamária, mas eles podem causar manchas na pele, tumores no fígado, trombose e aumento da pressão arterial. Consultar um médico antes de iniciar o uso e durante o tratamento é essencial para garantir a saúde futura da paciente'', lembra a especialista.
Cuidados O histórico clínico, a idade e o resultado de alguns exames são os parâmetros para determinar o uso da pílula e o tipo de medicamento para cada mulher. A ginecologista lembra que pacientes com doenças hepáticas, trombose e grávidas não podem utilizar métodos hormonais. Mulheres que têm mais de 35 anos de idade devem ter cautela no uso e aquelas que têm mais de 40 anos devem evitar os anticoncepcionais, para não correr os riscos citados acima. ''Para cada mulher e cada problema existe um remédio ideal e é o médico que pode definir isso'', afirma.
Para os casos específicos de problemas de pele, a médica diz que é necessário se levar em conta os benefícios e os problemas do uso de anticoncepcionais, bem como os verdadeiros motivos da acne e da oleosidade, que serão determinados por um dermatologista (veja box). ''Uma adolescente tomar anticoncepcional nunca é bom. Ele deve ser tomado quando os riscos são pequenos e se quer associar o tratamento de pele com a contracepção. Ir a uma farmácia e comprar medicamento sem orientação pode até piorar a situação'', lembra.

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