A figura simpática do Zé Gotinha arrebanha centenas de boquinhas para tomar as gotas contra a paralisia infantil nas grandes campanhas. De forma positiva, a imagem da criança recebendo a vacina é estratégia poderosa na guerra contra a doença. No mundo todo, a associação da vacina com a infância é uma questão cultural muito presente. Há, contudo, uma série de vacinas indicadas para a idade adulta.
De acordo com o médico infectologista José Luiz da Silveira Baldy, a consequência desse fato é que doenças que poderiam ser prevenidas por vacinas deixam de atingir crianças, passando a ocorrer com maior incidência em adultos.
Um exemplo é o tétano. No Brasil, hoje, mais de 90% dos casos de tétano ocorrem em adultos. A indicação é de que a vacina contra o tétano seja repetida de 10 em 10 anos, o que segundo Baldy, acontece excepcionalmente. ‘‘Antigamente, tétano era doença de criança; hoje é doença de adulto’’.
Hepatite B Outra vacina amplamente recomendada para adultos e também para adolescentes, é a vacina contra Hepatite B. De acordo com o médico, a Hepatite B está entre as doenças de maior incidência no mundo. São cerca de 400 milhões de pessoas infectadas com o vírus da doença, número 10 vezes superior ao de portadores do vírus da AIDS.
A transmissão do vírus da Hepatite B se dá, predominantemente, através do contato sexual. Há alguns anos era mais comum a transmissão por meio de sangue contaminado recebido em transfusões. Baldy alerta para a importância do uso do preservativo visando a proteção não apenas contra a AIDS, como é amplamente divulgado, mas contra uma série de doenças sexualmente transmissíveis, entre elas, a Hepatite B.
A boa notícia é que a partir deste ano, o Programa Nacional de Imunização (PNI) estendeu até os 19 anos a vacinação gratuita contra a Hepatite B nas unidades de saúde pública. O calendário anterior oferecia a vacina, de graça, até os cinco anos de idade. Baldy entende, contudo, que devido à gravidade, adultos a partir dos 20 anos devem se vacinar. ‘‘A Hepatite B é uma doença maldita’’, ressalta.
Hepatite A Encontrado nas fezes humanas, o vírus da Hepatite A está presente em águas poluídas. ‘‘Praias’’, lembra o médico, ‘‘são fontes do mal. As verduras, sobretudo as folhosas, se não forem lavadas adequadamente servem também de veículo para o vírus da doença. A Hepatite A ocorre predominantemente em crianças e o índice da doença nessa faixa etária é elevado, mesmo em cidades com boa infra-estrutura em se tratando de água tratada e rede de esgoto.
Estudos têm mostrado, entretanto, que há um grande número de pessoas adultas não imunes à doença. O ideal é que adultos façam o teste sorológico (espécie de mapa que mostra os anticorpos da pessoa) para verificar a existência ou não de anticorpos. ‘‘A doença apresenta risco de hepatite fulminante muito mais grave em adultos que em crianças’’, frisa José Baldy.
Caxumba, sarampo e rubéola O médico observa também que é cada vez maior o índice de casos de caxumba e sarampo em pessoas adultas. Conforme explica, uma única dose da Vacina Tríplice Viral, que imuniza contra essas doenças, protege entre 90% a 95% das pessoas. Sobra sempre um percentual de vacinados que não foram imunizados. Justamente por este fato, nos países desenvolvidos a segunda dose da vacina é obrigatória. No Brasil, o Calendário Básico de Vacinação (2000/2001) não prevê a segunda dose.
O infectologista destaca a importância dessa vacina em mulheres adultas que não tiveram a doença, sobretudo aquelas em idade fértil e adolescentes. Mesmo tendo sido vacinada contra a rubéola na infância, a mulher deve tomar a segunda dose antes de engravidar. A doença pode provocar malformações no feto, levá-lo à morte ou ao nascimento de crianças com graves sequelas, como cegueira e surdez.
Contra a gripe Estudos vêm demonstrando que há vantagens individuais e coletivas no amplo uso da vacina contra a gripe. ‘‘Este tipo de vacina pode ser tomada anualmente por adultos. Crianças a partir dos seis meses já podem receber a dose. Qualquer pessoa deveria estar preocupada em se proteger contra a gripe’’, alerta o médico.
‘‘É interessante ressaltar’’, acrescenta ele, ‘‘que a vacina contra a gripe tem indicação anual porque os vírus da gripe sofrem constantes mutações. Os anticorpos adquiridos no ano anterior não protegem da nova linhagem de vírus que surgem por modificação. É a Organização Mundial da Saúde (OMS) que determina para a indústria de medicamentos a nova composição da vacina.’’
No caso dos idosos, o calendário atual de vacinação do Ministério da Saúde reduziu a idade de 65 para 60 anos para a aplicação da dose nos postos de saúde. Em abril acontece a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso. Pessoas com 60 anos ou mais devem também receber a vacina antipneumocócica. O pneumococo é o agente mais comum de pneumonia bacteriana, sendo aconselhável a imunização nesta faixa etária. A dose só será repetida cinco anos depois.
BCG Como é alto o índice de tuberculose no país, sobretudo em pessoas com AIDS, aconselha-se que os adultos façam o teste, chamado PPD, para verificar a imunidade contra a doença. ‘‘Se o resultado for negativo, é indicada a vacina BCG mesmo que a pessoa tenha recebido dose anterior’’, afirma Baldy. De acordo com ele, a BCG tem a característica de aumentar a imunidade das pessoas de forma inespecífica, ficando mais resistentes contra outras infecções. ‘‘É uma vacina milagrosa’’, enfatiza o médico

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