Das 10 doenças que mais afastam as pessoas do trabalho, quatro estão relacionadas à dor nas costas. Dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), de 2004, mostram que a dor lombar (lombalgia), a dor dorsal (dorsalgia), a hérnia de disco e a lombalgia que irradia para as pernas estão entre os problemas que mais levam os brasileiros a pedir auxílio-doença, benefício concedido ao funcionário afastado por doença.
  Esses vários tipos de dor na coluna são problemas freqüentes em diversas categorias de trabalho, principalmente entre costureiras, motoristas de ônibus e trabalhadores da construção civil. O motivo, segundo os médicos, está no fato desses funcionários ficarem muito tempo sentados – sem intervalos – ou carregarem muito peso, de forma errada.
  Só para se ter uma idéia, 80% dos condutores apresentam queixas de lombalgia. ‘‘Entre os pedreiros, o índice chega a 50%’’, diz o ortopedista Erich Hausch, do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo. No ambulatório do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, quatro em cada 10 profissionais reclamam da dor.
  Segundo a reumatologista Evelin Goldenberg, coordenadora do curso de pós-graduação do Hospital Israelita Albert Einstein, o aparecimento da dor nas costas depende de uma série de fatores: satisfação com o trabalho, carga horária, mobiliário, forma de execução da tarefa, horas extras, monotonia etc.
  A dica para quem fica muito tempo sentado é fazer intervalos pequenos no trabalho a cada três horas. ‘‘A prevenção começa por aí. Vale a pena a pessoa levantar da cadeira, dar uma breve caminhada, tomar água e alongar o corpo com movimentos simples’’, recomenda o neurocirurgião Atílio Faedo Neto. Colocar um apoio sob os pés também ajuda a evitar a sobrecarga da coluna, assim como manter a boa postura. No caso dos trabalhadores da construção civil, o médico recomenda aos empregadores um treinamento de postura entre os funcionários.

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