Celso Mattos Enviado especial
Um dos problemas mais comuns, em qualquer especialidade médica, é o binômio inflamação e dor. Os processos inflamatórios e dolorosos são desencadeados a partir de diversas patologias congênitas ou adquiridas como traumatismo, artrose, artrite, dor de dente e até cólica menstrual. A receita para o tratamento desse binômio sempre foi básica: o uso de um antiinflamatório com propriedade analgésica. Mas enquanto aliviam os processos inflamatórios e dolorosos, esses medicamentos podem causar muitos efeitos colaterais ao organismo humano.
Para discutir esse problema e lançar o antiinflamatório Vioxx, que evita os efeitos colaterais, o Laboratório Merck Sharp & Dohme, realizou em junho, em São Paulo, o workshop ‘‘Inflamação e Dor’’, reunindo especialistas como João Francisco Marques Neto, professor de Reumatologia das Faculdades de Ciências Médicas da Universidade de Campinas e consultor do Ministério da Saúde na área de doenças crônicas degenerativas; Nilson Roberto de Melo, professor de Ginecologia da Universidade São Paulo; Ângelo Paulo Ferrari, professor de gastroenterologista da Universidade Federal de São Paulo, entre outros.
Limitações O reumatologista João Francisco Marques Neto destacou que artrite e artrose são patologias preocupantes porque são altamente incapacitantes. ‘‘A artrite é uma inflamação da articulação, provocando dor, limitação de movimentos e até deformidades, podendo afetar adultos e crianças. Já a artrose é uma doença degenerativa da articulação, sendo mais frequente na meia-idade. Ela ataca principalmente a coluna cervical, lombar, joelhos, quadris e os dedos das mãos. Quase 70% das pessoas acima de 70 anos têm evidências radiológicas desta doença e grande parte não apresenta nenhum sintoma’’, afirma o médico.
Ele ressalta ainda que dentro desse universo existem a osteoartrite e a artrite reumatóide. ‘‘São enfermidades que causam inflamações nos tecidos conjuntivos e outras partes do corpo como rim, pulmão e pele’’. Segundo o médico, as causas que levam a essas doenças são bem diferentes. ‘‘A artrite
infecciosa é provocada por bactérias e fungos, já a artrite reumatóide, o lúpus eritematoso e outras patologias do tecido conjuntivo têm causas imunogenéticas; as tendinites e bursites são motivadas por traumatismo ou movimentos de repetição’’, informa João Francisco Marques Neto.
Prevenção O médico salienta que algumas dessas enfermidades podem ser prevenidas. ‘‘A artrose causada por uma deformidade congênita, por exemplo, pode ser evitada caso essa deformidade seja corrigida precocemente. A gota também pode ser evitada, tratando o excesso de ácido úrico no sangue, antes que ele forme cristais e se deposite na articulação, provocando inflamação e dor. Mas, de uma forma geral, manter o peso ideal e praticar exercícios físicos ajudam a prevenir essas doenças’’, alerta.
A prevenção é fundamental porque a incidência dessas patologias é grande. ‘‘Nos Estados Unidos, mais de 20 milhões de pessoas são portadoras de osteoartrite e, no Brasil, são mais de 15 milhões. Já a artrite reumatóide atinge 2 milhões de americanos, sendo 60% mulheres, e 1 milhão e 500 mil de brasileiros’’, contabiliza o reumatologista. Como são doenças de causas diferentes, não existe um tratamento padrão. ‘‘No entanto, como se trata de inflamação, o uso de medicamentos antiinflamatórios torna-se imperativo por tempo prolongado, que acaba acarretando efeitos colaterais, principalmente gastrointestinais’’, observa.
Efeitos colaterais O médico gastroenterolgista Ângelo Paulo Ferrari ressalta que o uso de antiinflamatórios não-esteróides (que inibem a enzima COX-1, responsável pela proteção da mucosa gástrica) causam mais hospitalizações e mortes do que qualquer outra classe de medicamentos disponíveis no mercado. ‘‘Os efeitos colaterais podem causar perfurações no estômago, úlceras e sangramentos. No Brasil, estima-se um gasto de US$ 2 bilhões por ano com o tratamento de efeitos indesejáveis decorrentes do uso desses antiinflamatórios’’, diz o médico.
O gastroenterologista destaca que já existem os novos antiinflamatórios que são específicos para a enzima COX-2, que não inibem as prostaglandinas protetoras da mucosa gástrica. ‘‘Sendo inibidores seletivos da COX-2, deixam livre a COX-1 que protege a mucosa gástrica, apresentando efeitos colaterais mínimos’’, informa Ângelo Paulo Ferrari.
O jornalista Celso Mattos viajou a São Paulo a convite do Laboratório Merck Sharp & Dohme.

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