Um trabalho com muitos benefícios, salário alto e que traga satisfação e realização profissional é o sonho da maioria dos universitários, recém-formados e jovens profissionais brasileiros. Contudo, para conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho concorrido de hoje, é necessário ter um diferencial, principalmente em habilidades específicas, como idiomas. A maioria dos jovens já se deu conta que saber falar inglês, a língua oficial internacional, não é mais esse diferencial. A necessidade de uma terceira língua no currículo é real e urgente, mas, se você ainda não tem fluência em um idioma, compensa começar a estudar outro ao mesmo tempo? Começar a estudar duas línguas simultaneamente traz benefícios ou confunde o aluno?

Para a professora do departamento de Letras Estrangeiras Modernas e coordenadora do Laboratório de Línguas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Valdirene Zorzo Veloso, estudar mais de uma língua concomitantemente sempre traz benefícios, "apesar de vários estudos sobre o assunto afirmarem o contrário, ressaltando que existe uma interferência de um idioma no outro". Para a professora, diferente da música, ou das artes, que dependem de uma capacidade específica individual para serem desenvolvidas, todos possuem a habilidade para aprender e compreender a estrutura de outras línguas porque já são fluentes na língua materna. "Temos ainda a vantagem de falar o português, que é uma língua complexa. Os brasileiros têm facilidade para entender a estrutura de outros idiomas, e quanto mais cedo o estudo começar, melhor", avalia.

A professora ressalta, no entanto, que o aluno precisa ter paciência no início do estudo das novas línguas, principalmente quando feitas simultaneamente, já que podem surgir conflitos na compreensão das palavras. "A semelhança de alguns idiomas com o português, como por exemplo o espanhol, francês, italiano, esses de raiz latina, podem criar uma certa confusão em certos níveis de aprendizado. É o que chamamos de transferência negativa, como no uso de preposição, que em algumas línguas as palavras são iguais com significados completamente diferentes. Em algumas fases do aprendizado, que são as fases iniciais, de reconhecimento do idioma, isso é mais prejudicial".

Antes de ficar desesperado, porém, o aluno precisa saber que "em algum momento, após a fase de reconhecimento, tudo começa a fazer sentido", segundo a professora. "Há muitas transferências positivas. O português e o espanhol, por exemplo, trazem muitas transferências positivas na parte léxica. Muitas palavras são idênticas, algumas só mudam o gênero, algumas só mudam a parte fonética. Então 80% do léxico em português e espanhol passeiam por essa semelhança. Isso ajuda o aluno a compreender e fixar o novo idioma", diz.

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