Cleide Cavalcante
Agência Estado
Com a chegada da primavera, as autoridades de saúde alertam à população para uma série de doenças típicas da estação, como caxumba, rubéola e catapora (ou varicela). Por seu alto poder de contágio, a catapora é a mais preocupante. De acordo com a pediatra Lúcia Bricks, do Instituto da Criança da Universidade de São Paulo (USP), a catapora atinge anualmente 60 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que 60% dos casos são registrados entre setembro e dezembro. Porém, o que poucas pessoas sabem é que já chegou ao Brasil uma vacina extremamente eficaz para a imunização e, o que é melhor, prevenção contra a virose.
A pediatra Eliana Monastersky Rovner explica que a vacina, lançada há uns cinco anos em vários países da Europa, além do Japão, Estados Unidos, Coréia, Tailândia, Argentina, México e Chile, é à base de vírus atenuados da própria doença, ou seja, vivos e enfraquecidos. ‘‘A vacina está disponível há pouco mais de um ano nas farmácias de todo o País sob o nome comercial de Varivax e Varilrix, de dois fabricantes diferentes’’, informa.
Segundo ela, a vacina é a forma mais moderna de impedir o contágio. ‘‘No passado, a única maneira era evitar o contato com portadores da doença’’, explica. Pessoas que não tenham defesa imunológica contra a catapora, as que nunca foram vitimadas pela doença e as que não tomaram a vacina correm risco maior de contrair a doença.
ManifestaçãoA catapora é causada por um vírus, o varicela zoster (VZT), transmitido pelas vias respiratórias, ar contaminado, gotículas de saliva ou pelo contato com a secreção das vesículas. Aliás, esta é a principal característica da doença – pequenas feridas que aparecem de forma generalizada no corpo do doente. ‘‘Quem nunca teve catapora tem 95% de chances de contrair a doença caso entre em contato com uma pessoa infectada, isso independentemente da idade’’, anuncia a pediatra. O período de incubação do vírus pode variar de 10 a 21 dias.
A catapora se manifesta com intensidades variadas, dependendo de pessoa para pessoa; e dura cerca de dez dias. ‘‘A medicina ainda não sabe explicar porque isto acontece’’, verifica. Assim, uma criança apresenta uma média de 250 a 500 lesões, ou apenas uma dezena delas.
Sintomas Os principais sintomas da catapora, tanto em crianças quanto em adultos, são febre, mal-estar, dor de cabeça, falta de apetite e pequenas manchas vermelhas – que se transformam em bolhinhas d’água. ‘‘Estas bolhas provocam bastante coceira e se espalham pelo corpo de um dia para outro’’, salienta Eliana.
As mães devem observar atentamente a criança e não deixar que ela coce as bolhinhas. E, no último estágio, quando se forma uma casquinha em cima destas vesículas, que elas não arranquem com as unhas. Uma medida de prevenção contra problemas maiores, e também para controlar o risco de transmissão da doença, uma vez que todas as pessoas que moram na casa estão sujeitas a contrair o vírus, é deixar a criança sempre com unhas bem cortadas e limpas. As feridas podem deixar cicatrizes aparentes na pele.
Cuidados A orientação dos especialistas é para que as pessoas portadoras de catapora evitem sair de casa e fiquem em repouso, reduzindo o risco de contágio e, consequentemente, o surgimento de surtos. ‘‘A recomendação também é válida para que o paciente não se exponha a outras doenças que possam prejudicar seu restabelecimento. Isso porque o sistema imunológico do indivíduo fica mais sensível’’, justifica a pediatra.
Os cuidados com higiene são essenciais, com banhos frequentes. Pode-se usar o permanganato de potássio para aliviar a coceira ou a pasta d’água vendida em todas as farmácias. A pediatra lembra ainda que a catapora só atinge o organismo uma vez. ‘‘Pode acontecer das pessoas confundirem os sintomas com outras doenças, como o sarampo ou a rubéola’’, frisa.
Vacina Eliana acrescenta que a catapora costuma ser mais grave em bebês com menos de um ano de idade, em imunodeprimidos, pacientes com câncer ou Aids, os que fazem tratamentos médicos à base de corticóides e nos adultos.
‘‘Nestes casos, mesmo sendo raro, a doença pode evoluir para uma pneumonia, provocar infecções maiores na pele ou desencadear problemas no sistema nervoso central’’, destaca.
A partir de um ano de idade, qualquer criança pode ser vacinada. A dose é única e começa a agir depois de 72 horas. ‘‘A vacina’’, completa Eliana, ‘‘confere imunidade por toda a vida, entretanto, os adultos devem tomar duas doses, num intervalo de um mês’’. E como bebês com menos de um ano não podem ser vacinados, ela recomenda às mães que evitem o contato do filho com outras crianças infectadas. A vacina não está disponível na rede pública de saúde, a não ser em raras situações nas quais pacientes internados em instituições hospitalares sejam imunodeprimidos e necessitem da vacina. O custo médio da dose da vacina varia de R$ 85,00 a R$ 100,00.

mockup