A recente cirurgia para retirada de um câncer no intestino a que se submeteu o governador de São Paulo, Mário Covas, chamou a atenção para o câncer colorretal, o tumor de maior incidência no mundo ocidental. Para o médico gastroenterologista Issamu Onishi, a divulgação de problemas graves de saúde que atingem pessoas públicas são um sinal de alerta e trazem sempre esclarecimentos para a população em geral.
Múltiplas alterações genéticas dão origem ao câncer colorretal (tumor maligno no cólon e/ou reto, as duas partes que formam o intestino grosso). Como explica Onishi, temos no organismo genes que inibem o crescimento tumoral e genes que provocam a doença, os oncogenes. Estes produzem alterações que modificam o processo de multiplicação celular.
Os oncogenes são adquiridos e regulados por fatores ambientais, sendo o excesso de calorias e de gordura animal na dieta, bem como a pouca ingestão de fibras, os principais fatores causadores do câncer de intestino. Uma dieta rica em fibras e alimentos com vitamina D, cálcio e metionina (aminoácido presente nas proteínas alimentícias) protege contra a doença.
Colonoscopia Como a maioria dos cânceres colorretais não apresenta sintomas por um longo período (4 a 5 anos) e o quadro clínico do paciente, ainda que importante, ajuda pouco no diagnóstico precoce da doença, o médico destaca a importância da realização de exames para um resultado mais seguro. Os sintomas iniciais da doença, segundo Onishi, dependem da localização do tumor no intestino. ‘‘Anemia persistente e diarréia (tumor no lado direito do intestino grosso); cólicas abdominais e sangramento vivo pelas fezes (tumor localizado no lado esquerdo)’’, explica ele.
Um total de 48% dos tumores podem ser palpados pelo simples toque retal. Já através da retosigmoidoscopia são detectados cerca de 80% de cânceres no reto e cólon esquerdo. O exame de radio-X, denominado estudo enema opaco, é outro método de diagnóstico da lesão.
A colonoscopia, contudo, está entre os exames diagnósticos mais precisos. Permitindo a visualização de todo o intestino grosso, o exame se destaca pelo diagnóstico precoce do tumor, muitas vezes, lesões inferiores a um centímetro e que podem ser retiradas no ato do exame. Dados estatísticos revelam que a colonoscopia possibilita que 50% dos casos de câncer colorretal sejam detectados em fase inicial.
Outras características positivas do exame são: rapidez (cerca de 20 minutos); indolor (o paciente é sedado); e realização ambulatorial com cobertura por vários convênios médicos e pelo Sistema Único de Saúde. Para Onishi, o estudo colonoscópico é também um fator de economia para o paciente. ‘‘O exame radiológico permite observar a lesão indiretamente, mas se existir alguma dúvida a colonoscopia também terá que ser realizada’’, observa
Lesões precoces podem ser tratadas já na realização da colonoscopia. Em doenças mais avançadas, o tratamento cirúrgico, obedecendo preceitos oncológicos básicos, é o mais eficaz para a retirada da lesão. ‘‘Este recurso pode ser acompanhado de quimioterapia, uma das condutas mais comuns nestes casos’’, ressalta o médico.

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