Doença de verão
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sexta-feira, 09 de janeiro de 2004
Reportagem Local 
Janeiro chegou, as férias estão aí e é época de viajar para a praia e correr para os clubes, para espantar o calor. Também é tempo de cuidados especiais para evitar os perigos do verão. Além das queimaduras, desitratações e intoxicações alimentares, comuns nesse período, as micoses também costumam aparecer com força total.
Segundo o dermatologista Airton dos Santos Gon, isso acontece porque o verão brasileiro é bastante quente e úmido, oferecendo um ambiente perfeito para a proliferação e fixação dos fungos, responsáveis pelas micoses. ''Lugares como saunas, beira de piscinas e banheiros coletivos ficam constantemente úmidos e são lugares ideais para os fungos se instalarem. Se uma pessoa que tiver uma micose pisar em um lugar assim, os fungos ficam ali e passam para uma pessoa saudável que passar no mesmo local'', explica. Toalhas e roupas usadas por pessoas infectadas também podem transmitir a doença, bem como o contato direto com pessoas e animais domésticos.
Mas o simples contato não garante a contaminação. O especialista afirma que o fungo leva em torno 48 horas para penetrar no organismo. Para evitar que isso ocorra, bastam cuidados simples com a higiene, principalmente dos pés, virilhas e unhas, locais mais atacados pela doença em adultos. Secar bem o meio dos dedos depois do banho, evitar andar descalço em ambientes públicos, usar meias de algodão e trocá-las diariamente, usar sapatos arejados ou sandálias e deixar os calçados em locais ventilados são atitudes que ajudam a evitar o aparecimento da doença. ''Se a pessoa entrar em contato com os fungos e tomar esses cuidados não será infectada'', afirma. Algumas características pessoais como a transpiração excessiva nos pés e nas mãos também merecem atenção especial. ''Quem transpira muito nos pés deve usar talcos anti-sépticos, para garantir que fiquem secos'', ensina.
Pedicure e bebês As micoses podem atacar qualquer pessoa. O que muda são os locais mais comuns para a contaminação. Os homens costumam sofrer mais de micoses na virilha, devido ao abafamento causado pelo saco escrotal. Já as mulheres podem ter a doença nas unhas, por causa da utilização de material não esterilizado nas pedicures. Para elas, Gon recomenda que levem o próprio alicate e espátulas ao salão de beleza. As crianças também sofrem com as micoses, principalmente as de pele, na virilha e couro cabeludo. Nesta região são causadas por fungos contagiosos, que os pequenos costumam adquirir de animais domésticos. Já a micose de virilha surge principalmente em bebês e não é contagiosa. ''Ela ocorre devido a um fungo que está presente no organismo e se manifesta por causa do abafamento causado por fraldas úmidas. Manter o bebê sempre seco evita que apareça'', diz.
Mas não só as crianças sofrem desse tipo de micose. Pessoas obesas e mulheres de seios muito grandes podem desenvolver a doença, também por causa do abafamento e da dificuldade de manter as dobras da pele secas. Manchas brancas que costumam aparecer quando a pessoa se expõe ao sol, também são um tipo de micose causada por um fungo que está presente no corpo humano e se desenvolve em algumas pessoas, mas não é contagioso. Nesses casos o ideal é evitar a oleosidade da pele, causada por cremes condicionadores de cabelo, e a exposição ao sol.
Tratamento Eliminar a doença é simples, mas pode demorar. Quando o problema ataca a pele, as pomadas são o veículo mais recomendado, enquanto que se a micose estiver nas unhas e cabelo, é necessário a ingestão de comprimidos e uso de remédios líquidos. A mais difícil de eliminar é a que ataca as unhas. O tratamento costuma durar de três a 12 meses. Para a micose de pele, o tratamento leva cerca de quatro semanas e, para os casos de cabelo, até dois meses. Mas independentemente do caso, o ideal é iniciar o uso de medicamentos o quanto antes. Airton Gon afirma que o maior complicador no tratamento das micoses é a demora das pessoas em procurar o médico. Isso torna o período de uso dos remédios mais longo e a cura mais demorada. ''O correto é procurar um médico quando algo estranho aparecer na pele, cabelo e unhas'', alerta.
Quando não tratadas corretamente, as micoses podem formar feridas nos locais infectados e dificultar a cura. Gon afirma que um erro comum é o uso de alguma receita caseira. Outro problema é a confusão que as pessoas fazem entre micose e alergia. ''Muitas vezes as pessoas se auto-medicam com remédios para alergia. Isso pode até diminuir os sintomas das micoses, que são coceira e vermelhidão, mas não elimina o problema. Quando a pessoa pára de usar o remédio, a micose volta a incomodar'', afirma. n


