Cristina Gumiero
Agência Estado
Palidez crônica, cansaço físico, sono incontrolável, dor de cabeça, vertigens, falta de ar e de apetite são os princicipais sintomas da anemia
Há muito acreditava-se que anêmico era aquele personagem fantasmagórico dos filmes de terror, com palidez crônica na pele, magérrimo e sempre com ar cansado e expressão de desânimo. Mas hoje já se sabe que até os mais gordinhos, aparentemente saudáveis, podem sofrer do mal. Mas como identificar a anemia e quais as formas de tratamento?
A anemia é uma diminuição da taxa de hemoglobina – a substância rica em ferro que fornece cor aos glóbulos – ou uma redução anormal da quantidade das hemácias ou glóbulos vermelhos. Os glóbulos são produzidos, principalmente, pela medula, que se localiza na parte central dos ossos. Para fabricá-los, a medula necessita de ferro, vitaminas do complexo B, especialmente a B12, vitamina C e algumas proteínas.
A principal função desses glóbulos vermelhos é transportar gases respiratórios dos pulmões para os tecidos. A hemoglobina dos glóbulos vermelhos é responsável pela absorção do oxigênio nos pulmões. Qualquer alteração na quantidade de sangue (número de hemácias) pode provocar a redução do teor de oxigênio no sangue. A anemia se caracteriza pela taxa de hemoglobina inferior a 13 gramas por decilitro de sangue no homem, 12 gramas nas mulheres e 11 nas gestantes.
Principais sintomas Os principais sintomas de uma pessoa anêmica são: palidez crônica da pele e das mucosas, cansaço físico, sono incontrolável, dor de cabeça, vertigem, falta de ar e de apetite. Em crianças podem ocorrer ainda dores nas mãos e pés sem que elas tenham se machucado, inchaço das juntas, infecções frequentes, dor abdominal e sede constante. Os casos mais graves podem se caracterizar também por diarréia, icterícia (aparência amarela na pele), aumento do diâmetro do baço e palpitações cardíacas frequentes.
Causas básicas Falta de produção de glóbulos vermelhos, provocada pela carência de nutrientes essenciais para a produção de hemoglobina, como o ferro. Outro fator que pode alterar a produção dos glóbulos vermelhos é a presença de um tumor na medula, como a leucemia; falta de fatores que estimulem a produção dos glóbulos, como uma problema renal crônico; ou por aplasias de medula, provocadas por substâncias que atacam o tecido como alguns medicamentos e tratamentos de radiação também podem ser responsáveis pela anemia.
A destruição excessiva dos glóbulos vermelhos pode ser provocada por doenças hereditárias como anemia falciforme (comum em pessoas da raça negra, com graves consequências para o organismo quando não tratada) e tassemia, ou do Mediterrâneo, comum em indivíduos destes países como Grécia, Itália e Espanha (as hemácias são finas e frágeis); doenças auto-imune adquiridas, que produzem anticorpos contra os glóbulos vermelhos; por uso de determinados medicamentos; ou por doenças infecciosas e parasitárias, como a malária. Perdas hemorrágicas: na mulher, causadas, principalmente, por hemorragias em períodos menstruais. No homem, devido a sangramentos no estômago e intestino.
Tratamento A melhor forma de detectar a anemia é através de um exame de sangue. Através dele é possível caracterizar a causa básica da doença e, consequentemente, tratá-la de acordo. Alguns tipos podem ser tratados através de uma alimentação mais concentrada em ferro ou com a diminuição de alguma substância que esteja favorecendo o baixo aproveitamento do ferro no organismo.
Os alimentos que contribuem para combater a anemia são: feijão, carne magra, miúdos de aves, fígado de boi, rins, coração, ovos, ostras, mariscos, verduras de folhas escuras (espinafre, folhas de beterraba, couve, agrião, brócolis), cereais (aveia, granola, lentilha, soja, trigo), alimentos ricos em vitaminas C, como frutas cítricas que ajudam na absorção do ferro presente em outros alimentos (laranja, limão, morango, maracujá), alimentos ricos em ácido fólico (frutas e verduras cruas).
Como medida de prevenção da anemia infantil, é importante também amamentar a criança com leite materno até pelo menos os seis meses de idade. Deve-se evitar o chá preto ou de mate, que acabam por prejudicar a absorção do ferro no organismo. Habitue-se também a preparar a comida da criança nas tradicionais panelas de ferro, pois estas vão liberando partículas do mineral em quantidade mínima e de fácil absorção pelo organismo. Na falta da panela, vale cozinhar junto com a comida um pedaço de ferro (até pregos).

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