Doces que curam
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quinta-feira, 27 de junho de 2002
Da Redação 
Ninguém gosta de tomar remédio, principalmente as crianças que se queixam do sabor ou da dificuldade de ingerir um comprimido. Mas esse problema pode estar perto de ser resolvido. Uma técnica inovadora está sendo trazida ao Brasil pelas farmácias de manipulação: são os medicamentos em forma de balas, picolés e pirulitos.
É a roupa sob medida para o paciente. As crianças não recusam o remédio nesse formato, o que gera maior adesão ao tratamento. É, sem dúvida, um importante papel social das farmácias de manipulação. Estaremos apresentando-a em primeira mão para profissionais de todo o Brasil no 1º Congresso Internacional dos Farmacêuticos Magistrais que acontecerá em outubro no Centro de Convenções Transamérica, explica Marco Perino, vice-presidente da Anfarmag Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais.
Essas fórmulas contemporâneas são desenvolvidas com várias cores e sabores e estão voltadas para diferentes patologias. Como ficam por mais tempo em contato com a mucosa oral, têm efeito potencializado, já que a liberação do princípio ativo é lenta e sublingual. A droga entra na corrente sanguínea direto pela boca, sem agredir o estômago. Outro benefício é que
esses medicamentos não contêm açúcar, evitando as cáries.
O pirulito pode ser indicado, por exemplo, para a candidíase oral, conhecida popularmente como sapinho. Já o picolé, como analgésico para pós-operatório das amígdalas ou cirurgias dentárias.
A novidade não está somente direcionada à linha pediátrica. Balas também são indicadas no tratamento da reposição hormonal (tanto para mulher quanto para homem), das dores crônicas, como nos casos de câncer (a ação da morfina e da codeína é imediata), ou até para pacientes radioterápicos que estejam com problemas gástricos ou de deglutição.
Outra inovação é o gel transdérmico, que pode ser aplicado em qualquer parte do corpo. O princípio ativo penetra pela pele sem que o medicamento seja ingerido por via oral. É indicado, por exemplo, como antiinflamatório, oferecendo uma ação sistêmica.
A técnica foi desenvolvida há cerca de cinco anos nos Estados Unidos e hoje é um sucesso. No Brasil, é um nicho de mercado que possui um enorme potencial de crescimento, além de ser um importante papel social exclusivo das farmácias de manipulação, explica Perino.
A Anfarmag, criada há 15 anos, reúne 5.200 mil farmácias e farmacêuticos de manipulação de todo o País, representando cerca de 70% do setor. A instituição direciona sua atuação na valorização da profissão e em defesa da saúde pública.


