Doce veneno
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Chocolate, bolo, sorvete, bala, chiclete, caramelo, pudim, biscoito. Difícil resistir, mesmo com todas as advertências médicas, a todas essas tentações. Embora não precise dele, nosso corpo aprecia o sabor adocicado e se acostuma fácil a ingeri-lo quase todos os dias. Que atire o primeiro torrão de açúcar quem nunca se entregou ao prazer das doçuras.
Mas esse sabor tão agradável tem seu preço: o açúcar engorda, provoca cáries, rouba os minerais do organismo e aumenta a produção de radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento precoce e pelo surgimento de doenças degenerativas como Alzheimer e câncer. ''É claro que tudo isso acontece apenas quando o consumo é bastante elevado. Mas, mesmo quando consumido moderadamento, o açúcar não traz nada de bom para o organismo. O ideal seria aboli-lo'', aconselha a nutricionista Silvia Regina Serra.
Açúcar branco
Mas como eliminar o açúcar do dia-a-dia é praticamente impossível, a especialista recomenda substituir os tipos cristal e refinado pelo mascavo. ''O açúcar mascavo não passa pela industrialização, que acrescenta produtos químicos para dar a coloração branca e a granulação fina, e apresenta nutrientes como ferro e vitaminas. O açúcar cristal muitas vezes é visto como melhor do que o refinado, mas isso não é verdade. Ambos são nocivos ao organismo'', alerta.
Na hora de cozinhar, a nutricionista afirma que é possível fazer a troca, colocando metade da quantidade de açúcar branco por açúcar mascavo. ''Isso não altera em nada a consistência da receita de bolos ou outros doces. A única mudança é no sabor, já que o açúcar mascavo possui gosto mais forte'', diz.
Uma opção que sempre foi vista como mais saudável para o consumo são os adoçantes. Porém, nos últimos anos, depois de vários estudos chegou-se à conclusão de que alguns deles também devem ser evitados. ''O problema está em determinados componentes dos adoçantes. Produtos que contenham sorbitol não devem ser consumidos porque essa substância se acumula nos rins, comprometendo seu funcionamento, além de aumentar a produção de radicais livres. Mesmo para diabéticos, ele é um perigo, uma vez que pode causar catarata'', garante Silvia.
Outro ingrediente dos adoçantes que deve ser observado é o ciclamato de sódio. ''Ele é derivado do sal e causa aumento da pressão arterial. Antes de escolher um adoçante, as pessoas precisam ler o rótulo para saber se há esse tipo de substância no produto. Outra recomendação é trocar a marca do adoçante consumido. Isso evita acúmulo de resíduos no organismo'', comenta.
Adoçante é a melhor opção
Quanto aos estudos alarmantes sobre as doenças causadas pelo uso de adoçantes artificiais, que até poderiam provocar o aumento de peso, a especialista lembra que é importante ver esses resultados com cautela. ''As doenças apareceram em ratos que foram alimentados exclusivamente com adoçantes. Isso seria como um humano consumir apenas isso durante todo o tempo, o que não acontece na realidade. Em doses moderadas, não há provas que os adoçantes causem algum problema. Já a possibilidade de engordar existe apenas em relação à sacarina, presente nos refrigerantes dietéticos. Mas ainda acho que são necessários mais estudos para comprovar essa teoria. Na minha opinião, os adoçantes continuam sendo opções mais saudáveis do que o açúcar branco'', afirma.
Para quem prefere evitar problemas e também não quer voltar ao açúcar, Silvia aconselha o uso da Stevia. ''Ela é natural e não apresenta qualquer risco para a saúde. O problema ainda está no gosto amargo, desagradável para muita gente. Para resolver isso, alguns fabricantes estão produzindo misturas de Stevia e outros adoçantes artificiais. Mais um argumento para observar bem o rótulo.''
Açúcares e adoçantes
q Açúcar refinado ou cristal (sacarose): apresenta alto valor calórico e é pobre em nutrientes. Estudos indicam que o açúcar é descalcificante, desmineralizante, facilita a formação de cáries e o aumento de peso. É produzido comercialmete à partir da cana-de-açúcar ou da beterraba.
q Açúcar mascavo: é o açúcar da cana que não passa pela industrialização e refino. Embora apresente nutrientes como ferro e vitaminas, também é rico em sacarose e possui alto teor calórico.
q Stévia: adoçante natural extraído da Stevia rebaudiana. Não apresenta valor calórico e não provoca cáries. Pode ser consumido por crianças, adultos, idosos e gestantes. Geralmente vem misturado com outros adoçantes, como a sacarina.
q Ciclamato de sódio: adoçante artificial que adoça 35 vezes mais do que o açúcar refinado. Não possui calorias e não influencia na taxa de glicose do sangue, portanto, pode ser consumido por diabéticos e pessoas em dieta. Geralmente está associado à sacarina nos adoçantes.
q Sacarina: não apresenta calorias e não é metabolizada pelo organismo, podendo ser consumida por diabéticos e pessoas que precisem perder peso. Adoça 350 vezes mais do que a sacarose.
q Aspartame: 200 vezes mais doce do que a sacarose, apresenta teor calórico insignificante. Em altas temperaturas perde a capacidade de adoçar. Não é indicado para portadores de fenilcetonúria.
q Sucralose: não apresenta teor calórico nem é metabolizado pelo organismo. Adoça cerca de 600 vezes mais do que a sacarose.
q Frutose: extraído das frutas doces e do mel, apresenta poucas calorias e não provoca cáries. Embora seja metabolizado no fígado e não precise da insulina, diabéticos só devem consumir com orientação médica.
q Mel: adoça duas vezes mais do que a sacarose. Rico em glicose e frutose, é contra-indicado para diabéticos.
q Sorbitol, manitol e xylitol: muito usados na indústria para a fabricação de produtos dietéticos. São absorvidos lentamente pelo organismo e podem causar problemas nos rins, além de aumentar a produção de radicais livres.
q Acesulfame-K: 200 vezes mais doce do que o açúcar, não deixa sabor amargo ou metálico na boca e não apresenta valor calórico


