Eles fazem parte da história da humanidade desde os tempos mais remotos. Feitos em pedra na pré-história e encontrados confeccionados em tecido dentro de túmulos de crianças egípcias do século 3 d.C., as bonecas sempre foram oferecidos para as crianças e participaram da evolução dos materiais e invenções humanas.
Atualmente, os modelos mais completos andam, falam, choram, tomam mamadeira. Nas lojas, seções exclusivas oferecem todos os tamanhos, materiais e acessórios para tornar a brincadeira ainda mais real. Mas por mais modernos que eles tenham se tornado, aqueles tradicionais, feitos de pano, continuam agradando os saudosistas.
Prova disso foi a grande procura por um curso de bonecas de pano oferecido pela Casa de Cultura da UEL. ''Fechamos a turma com 11 alunas, que era o máximo que poderíamos aceitar, e já temos 15 pessoas esperando para frequentar as aulas'', afirma a artesã, pedagoga e professora do curso, Neuza Alves Ferreira.
Ela se considera uma apaixonada por bonecas desde a infância, quando já arriscava confeccionar seus próprios brinquedos. ''Eu fazia bonecas juntando pedras de um rio próximo ao sítio onde morava. Minha mãe comprava algumas para mim, mas eu preferia aquelas que eu fazia. Depois de adulta eu vi em uma revista como fazer bonecas de pano e decidi melhorar o trabalho que eu fazia, me aprimorando'', conta.
Desde então, ela já fez vários modelos, alguns até exportados para a Europa. De acordo com a artesã, são peças que têm mercado garantido. ''Todas as que eu faço, cerca de dez bonecas por mês, são vendidas. Na minha casa também, sempre que vai uma visita, adulto ou criança, as pessoas me pedem uma'', garante.
Segundo ela, na maioria das vezes, as bonecas de pano agradam mais os adultos, que querem as peças para decoração. ''O espírito desses brinquedos nunca desapareceu e agora está mais forte, as pessoa estão resgatando esse costume. Conheço mulheres que guardam bonecas da infância até hoje'', afirma.
No curso, que tem duração de cinco semanas, com uma aula semanal de três horas de duração, as alunas aprendem a fazer as peças em algodão cru, preenchidos com retalhos, plumante ou espuma, e de vários formatos. ''A criatividade da pessoa conta muito para definir o rosto, a cor dos olhos, o formato da boca, a roupa. Eu ensino como fazer e cada aluna usa sua imaginação'', comenta Neuza.
E a turma, formada só por mulheres, é bastante heterogênea. A estudante Karina Berg, 23 anos, soube do curso pela mãe e decidiu tentar fazer as bonecas que antes ganhava de presente da madrinha. ''Sempre gostei de bonecas de pano, mas hoje acho que elas servem mais para decoração. Quando termina a peça, olha para a carinha dela e vê como ficou bonita, dá muita satisfação'', diz.
Ao lado de Karina, uma senhora aprende a confeccionar os bonecos por uma decisão nobre. A aposentada Antonieta Volpi quer doar sua produção a crianças carentes. ''Eu e minha filha reformamos brinquedos usados para doar há sete anos, mas sempre faltam bonecas. Aprendendo a fazer, vou poder completar as doações. Acho que as crianças vão gostar porque meus dois netos já me pediram para fazer bonecos para eles'', comenta.

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