Do sonho à realidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de julho de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Com os avanços da medicina estética, paralelamente à febre do corpo perfeito e da eterna juventude, é difícil encontrar alguém que não tenha na família uma pessoa que não se submeteu a uma cirurgia plástica. Com preços mais acessíveis, ela não é mais exclusividade de classes econômicas abastadas.
Mas tanta popularidade pode causar nas pessoas a idéia de que as cirurgias são procedimentos fáceis, que podem corrigir qualquer defeito e transformar o corpo e o rosto da maneira que se deseja. O nariz da Ana Paula Arósio, a boca da Angelina Jolie, as pernas da Cláudia Raia ou a barriga da Gisele Bundchen parecem estar ao alcance da mão, prontos para resolver todos os problemas de auto-imagem. E quando isso não acontece, vem a frustração pós-cirúrgica, que pode ser ainda mais cruel do que a insatisfação anterior.
''As pessoas querem seguir padrões de beleza impostos pela mídia e não levam em conta a individualidade de cada um. Cada parte do corpo deve ser natural e combinar com o conjunto. Cada pessoa é única e a cirurgia não existe para transformar-nos em cópias uns dos outros'', comenta a cirurgiã plástica Dolores Mamprim.
Para ela, a decepção com o resultado de uma intervenção cirúrgica acontece principalmente por falta de informação do paciente. ''É fundametal que o médico traga a situação para a realidade, explique quais são as melhores alternativas para resolver o problema, qual é o resultado possível e quais serão as consequências disso'', diz.
Além da individualidade, a qualidade da pele de cada um, a idade e a composição corporal são fatores importantes para as possibilidades e o sucesso das plásticas. ''Uma menina de 20 anos, com gordura localizada no abdômen, pode resolver o problema só com uma lipoaspiração. Já para uma mulher de 50, que já teve filhos, provavelmente será necessário fazer também uma plástica para retirada de pele'', explica a especialista.
Segundo ela, o segredo para uma boa cirurgia plástica é que o resultado seja natural. ''Não pode ficar de um jeito que todo mundo perceba. As pessoas precisam notar a mudança mas não identificar como ela ocorreu. Isso é muito comum nas cirurgias de rejuvenescimento facial, quando a pessoa quer ficar com o rosto que tinha aos 18 anos. Nessa hora entra o bom senso do médico de impôr limites aos pacientes'', afirma.
Explicar todos os passos do pós-cirúrgico também é importante para evitar as frustrações. Cicatrizes, traumas, inchaços são etapas existentes em qualquer intervenção e precisam ser esclarecidas. ''Dessa forma, o paciente não se assusta por algo que é passageiro, como o inchaço e os hematomas, e fica preparado para sequelas inevitáveis como as cicatrizes, que são grande motivo de reclamações. Bem informado pelo médico, ele terá a paciência de esperar o resultado final e saberá aceitar as limitações e marcas que qualquer cirurgia deixa no corpo.''


