Do consultório para a cozinha
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quinta-feira, 11 de abril de 2002
Celso Mattos 
Uma vez por semana, seis médicos e um artista plástico deixam de lado bisturis, estetoscópios e pincéis para colocar a mão na massa. Eles formam um grupo de alunos que está fazendo curso de culinária na Myriam Setti Escola de Arte Culinária. Enquanto as mulheres ficam em casa, eles vão para a cozinha da escola aprender pratos sofisticados como Escalopinhos Al Limone, Carne de Panela com Molho Ferrugem, Blaquette de Vitela, entre outros.
Nós convidamos nossas mulheres para vir junto, mas elas se recusaram, brinca Luíz Cordoni Júnior, 54 anos, médico sanitarista, um dos que tiveram a idéia de formar o grupo e aprender os segredos da boa cozinha. Alunos aplicados, eles fazem perguntas sobre os melhores temperos, as panelas mais adequadas para cada tipo de alimento e anotam tudo o que a professora vai explicando.
Fernando Pedrotti, 37 anos, casado, é médico-residente em medicina preventiva e social. Ele conta que sempre gostou de cozinhar. Gosto de reunir os amigos e preparar um almoço ou jantar com pratos diferentes. Durante a semana, normalmente, é minha mulher quem cozinha, mas nos finais semana, sou eu quem vai para a cozinha, garante.
Ele diz que gosta de cozinhar de tudo, mas tem preferência por massas devido a sua origem italiana. Resolvi fazer esse curso para aprender um pouco mais, pois aqui a gente descobre alguns segredinhos que ajudam a dar um sabor especial ao prato, acrescenta.
O mais afoito dos alunos é Paulo Roberto Gutierrez, 54 anos, casado, médico sanitarista. É o primeiro curso que estou fazendo e estou adorando. Para mim, são as três melhores horas da semana. O curso é dado às segunda-feiras, das 19 às 22 horas. Eu sempre gostei de cozinhar, mas agora quero refinar um pouco esse meu hobby. Adoro preparar peixes, carnes e feijoada, só não gosto de fazer sopa. Além disso, gosto de cozinhar para muita gente, no mínimo, umas 10 pessoas, ressalta Paulo Roberto. Ele conta que tem um forno a lenha em casa só para preparar pizzas para amigos e parentes.
Edmilson Yamo Ishii, 27 anos, solteiro, é o mais novo da turma. Ele é médico- residente em cardiologia e mora sozinho em Londrina. Dificilmente cozinho só para mim. Não tem graça, prefiro comer fora. Gosto muito de cozinhar, mas não sei fazer arroz e feijão e nem fritar ovos. Faço apenas arroz japonês porque é só jogar na panela e deixar cozinhar, diz o médico.
Os demais alunos da turma são: Kazuhiro Ito, 50 anos, viúvo, médico patologista; José Rubens Nunes, 48 anos, casado, médico veterinário e Cláudio Garcia, 46 anos, solteiro, artista plástico.


