Desde a revolução industrial, a humanidade ganhou muito com o desenvolvimento da tecnologia e todo o conforto que ela trouxe. Hoje, as fábricas produzem centenas de materiais e utensílios com o uso de máquinas que agilizam e barateiam o processo. Em casa estamos todos equipados com eletroeletrônicos que facilitam praticamente todos os afazeres domésticos.
As consequências de tanta comodidade, para o meio ambiente, como excesso de lixo e aquecimento global, já são bastante conhecidas. Mas um tipo de problema ainda é pouco discutida: a poluição sonora. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os ruídos são a terceira principal causa de poluição mundial. Muito mais que tirar a tranquilidade global, esses ruídos têm causado um problema bem maior para as pessoas. A OMS registrou um aumento de 15% no índice de surdez na população do planeta.
''Atualmente temos cerca de 15 milhões de pessoas com problemas de audição. E isso causa um incômodo social para os pacientes. Quando uma pessoa tem dificuldade para ouvir, ela geralmente é excluída das conversas e sofre algum tipo de preconceito. Estudos também mostram que a poluição sonora causa ansiedade, depressão, irritabilidade e até aumento da pressão arterial'', alerta a fonoaudióloga Marcia Bongiovanni.
Segundo ela, as pessoas se preocupam pouco com a saúde auditiva. ''É preciso reeducar a população, que cada vez mais está habituada com sons em volume alto. Os jovens, principalmente, ficam o tempo todo com os fones de ouvido em volumes acima do recomendável, além desses equipamentos ficarem praticamente dentro do ouvido. A volume desse tipo de aparelho deve ser bem baixo, a ponto de se ouvir o som ambiente'', recomenda.
A perda da audição, segundo a fonoaudióloga, é normal com o passar do tempo. ''Geralmente acontece depois dos 45 anos de idade. A pessoa vai perdendo a capacidade de entender a mensagem. O que está acontecendo é que essa perda está acontecendo mais cedo. Hoje, temos jovens de 25 anos que já apresentam dificuldade para entender'', afirma.
Para garantir a saúde dos ouvidos, Marcia diz que as pessoas precisam levar em conta três pontos básicos de exposição ao som: a duração, a intensidade e a frequência. ''Sons com frequência de ruídos são mais prejudiciais. Já a intensidade está ligada ao volume. Quanto maior a intensidade, menor deve ser o tempo de exposição (veja tabela)'', explica.
Outro problema do sistema auditivo é que ele dicilmente se recupera de uma lesão causada pelo barulho. ''Nosso ouvido suporta bem sons até 85 decibéis (dB). Acima disso, se o tempo de exposição não for respeitado, a cóclea perde sua proteção natural e começa a ser lesionada, o que é irreversível. É evitando os sons muito altos e por muito tempo que se garante a saúde auditiva. Somente os problemas causados por inflamações e outras doenças podem ser tratados com sucesso'', alerta.
Por isso, é importante cuidar de infecções e inflamações de ouvido, principalmente em crianças. ''Essas doenças podem comprometer a qualidade da audição e dificultar no aprendizado da leitura e da escrita. Isso porque a criança tem dificuldade em diferenciar os sons de algumas letras. A rubéola materna, meningite e o uso de alguns antibióticos também podem trazer complicações. O ideal é procurar um otorrinolaringologista caso a criança apresente algum desses problemas'', diz.
Utilizar medicamentos caseiros, como óleo quente e álcool também são práticas condenadas pela especialista. ''Já recebi pacientes com o ouvido queimado por causa de óleo muito quente. Para tratar dores de ouvido deve-se procurar um médico e utilizar medicamentos adequados. Grampos, canetas e outros objetos usados para tirar a cera do ouvido também devem ser abolidos. A cera é a proteção natural e não deve ser removida. O cotonete serve apenas para a limpeza externa'', lembra.

Intensidade do som e duração da exposição sem danos
85 dB - equivale a um cachorro latindo, um aspirador de pó: até oito horas por dia
100 dB - som de uma serra elétrica ou motor ligado: até uma hora por dia
120 dB - som das caixas de som de boates e shows musicais: máximo de uma hora por semana
140 dB - barulho provocado por explosões: capaz de provocar ruptura de tímpano na hora

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