Já foi o tempo em que o uso de medalhas de santos era coisa de devotos fervorosos. Hoje, elas estão entre os acessórios preferidos dos que gostam de seguir os ditames da moda. A mania começou no final do ano passado, e há quem veja relação direta com os atentatos terroristas nos Estados Unidos. ‘‘A febre pegou mesmo depois de setembro. Na Europa, os santos apareceram também em estampas de bolsas e roupas, com a função de proteção’’, diz a designer Sarita Donadel Pfeifer.
Pulseiras, colares e até tornozeleiras fazem parte da coleção de Sarita, que usa strass e cristais coloridos da Swarovski para dar um apelo mais sofisticado às medalhas e cruzes. O visual das peças é o que mais chama a atenção das suas clientes. ‘‘As pessoas não compram pensando no santo, mas na cor’’, observa.
Já a designer Mônica Nakano notou que alguns santos têm a preferência dos que entram na sua loja. ‘‘Os mais procurados são Nossa Senhora, São Bento e Santo Expedito’’, enumera. Ela acredita que o modismo surgiu porque as pessoas, hoje, estão mais preocupadas com a parte espiritual. ‘‘Acabam juntando as duas coisas: moda e f钒, diz.
A Igreja se manifestou recentemente condenando a moda de usar cruzes incrustadas com pedras preciosas e diamantes. Afinal, gastar milhões para adquirir o símbolo sagrado do cristianismo, enquanto tanta gente morre de fome no mundo, não é uma atitude cristã. A moda das medalhinhas de santos também não é vista com bons olhos pelo arcebispo de Londrina, dom Albano Cavalin. ‘‘Quem carrega a cruz deve misturar o seu sofrimento com o de Jesus para mudar o mundo. Fazer disso um enfeite ou um amuleto não é um verdadeiro culto’’, afirma.
De acordo com ele, a devoção ao santo deve ser um modelo de vida. ‘‘Se eu gosto de São Vicente de Paulo, é para fazer caridade como ele. Se eu sigo Nossa Senhora de Fátima, é para rezar o terço para a conversão, como ela pediu’’, diz, alertando também para o uso exagerado das medalhas como forma de proteção. ‘‘Mais do que isso, o uso da imagem pede imitação das virtudes do santo’’. Para o arcebispo, é preciso carregar a fé ‘‘mais no

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