Dividindo o mesmo espaço
Alguém para conversar Antes de dividir o mesmo apartamento, elas estavam morando sozinhas e sentiam falta de um lar. Morando sozinha, o apartamento não funcionava muito, pondera Thaís. A amiga alega que se sentia meio sufocada no apartamento de um quarto. Odeio comer sozinha. E quando a gente chega à noite e tem uma pessoa para conversar, já alivia bastante, diz Heloísa. Para ela, a questão financeira pesa também. Elas continuam gastando o mesmo valor, porém, o conforto é maior agora que dividem as despesas.
Heloísa é de gêmeos e Thaís é de virgem, signos que, segundo elas, se respeitam bem. E o respeito mútuo é imprescindível para quem quer dividir o mesmo espaço. Temos bastante liberdade uma com a outra mas, para isso, é preciso ter afinidades, observa Thaís. A amiga afirma que desde os 16 anos divide espaço com outras pessoas. A gente acaba se acostumando a não entrar na liberdade do outro, considera.
Para uma não invadir a liberdade da outra, Heloísa já chegou a secar o cabelo abafando o barulho do secador, e Thaís nem estava no apartamento. Outra vez, Heloísa novamente se valeu de passos felinos para não perturbar o sono de Thaís e esta também não estava em casa. Ela só ficou sabendo quando Thaís ligou da boate, onde estava se divertindo.
Agora, depois de um ano, elas acreditam que conseguiram dar ao espaço a cara de casa. A decoração tem um pouco de cada uma. Sobre o preço da liberdade de se virar sozinha nesse mundo tão conturbado, elas têm a mesma resposta: O preço é alto. Os pais de Thaís se mudaram recentemente para Londrina e a vêem com respeito e orgulho. Mesmo assim, eles pediram a ela para que voltasse a morar com eles. Mas tantos anos se passaram, desde que saiu de Cornélio Procópio, que Thaís não conseguiu voltar.Milton DóriaThaís e Heloísa estão dividindo o mesmo apartamento há um ano. A vontade de ter uma casa com cheiro, cor e jeito de lar influenciou muito para que dividissem o espaçoO gato Fidel se espreguiça pela sala do apartamento arejado. Dono do pedaço, o gato reina entre duas poltronas confortáveis. O apartamento da relações públicas Thaís Soares, 30 anos, e da empresária Heloísa Francisco, 29 anos, tem a cara das donas. Um quadro pintado por um amigo se destaca na parede branca, alguns CDs (entre eles o de Nina Simone) se alojam ao lado do som e da TV.
Livros e revistas preenchem a pequena estante. Ao lado, um banco estranho, com dois braços e muita história para contar. Mas quem impera no ambiente é um piano imponente, carregado de porta-retratos com fotos de Gramado (RS) e Nova York. O cheiro de almoço caseiro invade a sala, quando elas começam a contar a história de duas jovens que se conheceram aos seis anos, na tranquila e pacata Cornélio Procópio.
Thaís e Heloísa moram juntas há um ano. Quando estudantes, há 10 anos, elas dividiram o mesmo espaço numa república. Mas era diferente. Recebíamos mesada, comida da mamãe, tínhamos preocupação com vestibular e com as festas, relembra Thaís. Daquele tempo, elas rememoram a bagunça que era várias mulheres vivendo juntas. E riem.





