De Dedê para Pri: ''Você é a nora que a minha mãe sempre quis ter. Almoça lá em casa qualquer dia?'' De Mari para Fofucho: ''Procurei você ontem a noite toda. Onde você se escondeu?'' Da turma do Zé para a galera de Sampa: ''O fim de semana foi irado. Valeu!'' Na voz do animado DJ, numa ensolarada manhã de domingo, os torpedos revelavam que muita coisa tinha rolado desde que a trupe de 360 solteiros havia desembarcado no Hotel Aguativa, em Cornélio Procópio, na noite de sexta-feira.
Recepcionados com coquetel e jantar seguido de show da banda Set Satélite, homens e mulheres (elas em maioria e com idade superior a deles) se preparavam para dois dias de muita diversão e, quem sabe, algum romance que se a sorte e os deuses do amor ajudassem poderia se tornar mais do que um encontro casual. Foi o que aconteceu com Débora, 26 anos, e Bruno, 35 (nomes fictícios), que se conheceram naquele fim de semana, em agosto do ano passado, e estão juntos até hoje.
A paquera, que estava rolando ''de leve'' como define Débora, ganhou um ''upgrade'' no sábado à noite, durante um sorteio. Ela foi contemplada com uma viagem à Vitória e recebeu os cumprimentos dele. Foi o pretexto que faltava para o início do bate-papo, que continuou no dia seguinte, durante uma partida e outra de biribol. ''No domingo, na hora de ir embora, ele pediu meu telefone'', conta Débora.
Como na época Bruno morava em Cascavel, ligações telefônicas foram, durante um mês, a única forma de comunicação entre os dois. ''Ficávamos trocando mensagens pelo celular'', lembra ela. Assim que ele se mudou para Londrina, o namoro deslanchou. ''Estamos pensando em nos casar'', revela Débora.
Pacote diferente Mas apesar do inevitável clima de azaração no ar, encontrar possíveis pretendentes não é o que faz a maioria se interessar por viagens do tipo ''just for singles''. A tendência, já disseminada em São Paulo (leia box), chegou por aqui com a iniciativa da agência Gate Tour, ano passado, ao lançar o pacote para solteiros. Quem foi garante que a experiência valeu a pena. A arquiteta e administradora Cristhiane Negri, 28 anos, adora viajar e achou o programa interessante quando a agência o sugeriu. ''Chamei minhas amigas e fechamos um chalé'', conta ela, que apesar de estar em um grupo, diz ter tido a oportunidade de conhecer outras pessoas.
Para Cristhiane, muitos deixaram de ir por puro preconceito, acreditando que participar de um evento desse tipo seria assumir a condição de caçador(a). ''Muita gente estava lá apenas com o intuito de curtir um final de semana longe da cidade. Tanto que duas das minhas amigas levaram os namorados'', observa. Uma delas é a arquiteta Luciana Zanardi, 29 anos. ''Foi supergostoso porque viajamos em turma'', conta. Segundo ela, o maior problema era a faixa etária dos garotos. ''O pessoal mais novo foi para bagunçar mesmo. Já as pessoas mais velhas foram para conhecer gente, fazer amizades'', diz.
Era exatamente essa a intenção do engenheiro civil Rodrigo Zacaria, 31 anos. ''Queria passar um final de semana diferente, festar''. Para ele, o que mais conta em eventos desse tipo é o número de mulheres, condição plenamente satisfeita na ocasião. ''Não achei que ia encontrar a mulher da minha vida; não rolou nada mais do que rolaria numa boate: a gente conhece alguém e fica'', conta.
O administrador de empresas Marcelo Grade, 35 anos, também não acredita em amor à primeira vista. ''Não fui com o objetivo específico de conhecer alguém especial. Isso dificilmente acontece em encontros desse tipo. A idéia era confraternizar, conhecer gente nova. Achei que valeu a pena, foi divertido'', conclui, embora tenha viajado com a expectativa de encontrar mulheres mais novas.
Gente avulsa De acordo com a proprietária da agência Gate Tour, Viviane Shimazaki, a idéia de organizar uma viagem para solteiros veio da própria experiência com a clientela. ''A gente percebeu que os profissionais liberais têm dificuldade de arrumar companhia para viajar durante as férias. Os amigos, muitas vezes, não têm disponibilidade de tempo ou de dinheiro. Um final de semana num resort próximo de Londrina seria mais fácil para reunir as pessoas'', justifica.
A proposta de juntar gente ''avulsa'' disposta a passar um fim de semana animado deu tão certo que vai ter repeteco. Com algumas alterações como o aumento da idade mínima de homens de 18 para 21 anos a segunda edição do pacote para solteiros acontece de 29 a 31 de agosto, no mesmo local: o resort Aguativa, em Cornélio Procópio, agora sob os cuidados do Núcleo Setorial de Agências de Viagem e Turismo de Londrina. A intenção é que, em breve, o encontro faça parte do calendário oficial de eventos da cidade.
Nesta segunda edição, a programação deve ser incrementada. Além do coquetel do encaixe, na sexta-feira, com distribuição de porcas e parafusos para a procura (opcional) do ''par perfeito'', jantar e festa com DJ e banda, no sábado acontece o café da manhã do arco-íris: cada pessoa recebe uma fita na entrada do restaurante e tem que sentar na mesa correspondente à cor recebida. Tudo para proporcionar maior integração entre os participantes.
Durante o dia, a programação inclui gincanas e atividades recreativas com GOs, como futsabão, corrida do amor, barraca do beijo, hidroginástica, trekking e biribol. À noite, tem jantar dançante com a banda Aguativa. O preço do pacote por pessoa, com pensão completa, varia de R$ 330,00 (apartamento quádruplo) a R$ 600,00 (apartamento single). n

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