Crianças e adolescentes com distúrbios emocionais e de contato, ou jovens que apresentam dificuldades em adaptar-se ao currículo normal escolar, precisam ser tratados adequamente para, na vida adulta, não serem excluídos social e profissionalmente.
Há 30 anos trabalhando com pacientes que apresentam este perfil, a psicopedagoga Sílvia Mendes Biscaia, de São Paulo, afirma que o trabalho deve ser especializado e específico para cada caso. ‘‘A mãe deve procurar imediatamente a ajuda de um profissional assim que suspeitar de qualquer anormalidade comportamental da criança, independentemente da idade’’, explica.
Sílvia desenvolve um trabalho voltado diretamente para jovens com estes problemas visando, acima de tudo, qualificá-los profissionalmente. ‘‘Num primeiro momento, converso individualmente com o paciente. Depois, tenho um contato com a família e, se for o caso, com os profissionais que tratam ou já trataram do paciente’’ diz. Ela cita como exemplo o caso de um jovem que não conseguia aprender a escrever, mas que tinha uma habilidade enorme para desenhar. ‘‘Durante as sessões, duas ou três vezes por semana, procuro explorar o ponto forte do adolescente’’, acrescenta.
De acordo com a especialista, é um erro os pais não dar a atenção devida quando o filho começa a ir mal na escola. ‘‘Muitos pais já dizem logo que é falta de interesse nos estudos ou, até, malandragem. Quando, na verdade, pode ser um problema muito mais sério, podendo ter consequências irreversíveis’’.
Entretanto, cada ser humano possui uma realidade diferente. ‘‘São experiências de vida muito distintas. Não se pode estipular um tratamento padrão, seria interferir muito na vivência do paciente’’, frisa. Por isso, o tratamento é moldado de acordo com o quadro individual. ‘‘Não gosto de rotular dizendo que sigo esta ou aquela técnica ou método. Cada caso é um caso’’, argumenta Silvia, que especializou-se em psicopedagogia em países como França, Alemanha e México.

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