Dinheiro próprio
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quinta-feira, 31 de março de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
O trabalho dignifica o homem. Não é isso que dizem? Para as jovens Thábata Gaspar e Laura Oliva, as horas de trabalho como vendedoras num shopping trazem ainda mais recompensas. O salário no final do mês banca roupas novas e também as baladas de final de semana. Mas não é só isso. O dinheiro próprio resulta em independência e maturidade, garantem.
Os planos para 2005 da estudante de direito Thábata Gaspar incluíam não aulas na faculdade, mas, sim, do outro lado do mundo, numa temporada de estudos na Austrália. ''Eu ia para lá em julho'', lembra a garota, que nem sequer pensou em prestar vestibular. Como programou passar os primeiros seis meses do ano sem atividades, aceitou o desafio de um amigo para trabalhar como vendedora.
Sem qualquer experiência anterior, mas com prática em comprar e usar o estilo da loja, a estudante logo trocou de lado e passou a vender. Em três meses de trabalho, é só sorrisos para falar da experiência. Aliás, como os planos de viagem foram cancelados, Thábata não só entrou para a universidade como também reverteu o acordo de serviço que antes era de apenas seis meses. ''Agora vou ficar enquanto eles (os patrões) me quiserem por aqui'', avisa.
Sem realmente precisar do dinheiro, já que os pais bancam casa, comida, roupa lavada e estudos, a estudante dá duro na loja porque ''acha bem melhor não ter que depender'', explica. ''Sempre busquei a independência'', diz a estudante, que agora com o salário tem reais para gastar com o que gosta. ''Não preciso nem falar com o que vou gastar'', explica. Só que com a agenda apertada, em que divide o dia entre aulas e vendas, Thábata conta que não consegue mais sair tanto à noite. ''Só mesmo nos finais de semana porque durante a semana fico cansada'', lembra. Ossos do ofício.
A amiga e ''vizinha de loja'' Laura Oliva é uma trabalhadora veterana. Já recebe salário desde os 16 anos. Em dois anos está em seu terceiro emprego. Começou como vendedora, passou uma temporada num escritório e agora voltou às vendas enquanto se prepara para o vestibular em administração de empresas ou publicidade.
''Odeio ter que pedir dinheiro para os outros'', explica Laura, que teve a mãe como principal incentivadora. ''Ela, que sempre trabalhou, disse que seria bom eu ter meu próprio dinheiro'', conta a garota. E, além da recompensa financeira, Laura conta que amadureceu muito depois que começou a dar expediente. ''Comecei a trabalhar por brincadeira, mas agora dou valor ao dinheiro e consigo administrá-lo'', explica a vendedora, que assim como Thábata, também pode usar tudo o que ganha em proveito próprio, sem se preocupar, ainda, com aluguel, mensalidades e outras contas.
''Sei que não vou ser vendedora para o resto da vida. Não é isso que quero para mim. Só que trabalhando a gente vai crescendo e conquistando as coisas'', argumenta.


