Em época de matrículas escolares, muitos pais se vêem perdidos com tantas escolas e métodos de ensino diferentes. Preocupações como espaço físico, formação de professores, aulas e atividades complementares, acompanhamento pedagógico e mensalidades atingem todas as famílias com crianças em idade escolar. E pais que têm em casa crianças com dificuldades específicas têm mais uma questão para levar em conta: qual a melhor escola para que o filho possa superar seu problema e aprender?
De acordo com a psicopedagoga e fonoaudióloga Lívia Fortes não existe uma receita certa para cada tipo de aluno. ''É possível ter crianças diferentes estudando juntas, com o mesmo método. Mas algumas se adaptam melhor a um sistema do que a outro'', diz. Para tentar escolher a melhor opção, primeiro é necessário saber qual a verdadeira dificuldade de cada criança. Segundo Lívia, existem vários motivos para a criança ter problemas de aprendizado, de físicos a psicológicos. ''Mas é importante lembrar que um mau aluno em uma escola pode ser um bom aluno em outra. Todo ser humano nasce com vontade e capacidade de aprender. E assim como existem bons e maus alunos existem também bons e maus professores, que não conseguem atingir e motivar as crianças'', observa.
Distúrbios Um dos problemas que mais atrapalham o aprendizado é a já conhecida hiperatividade, ou Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA). Nesses casos, a criança pode ser agitada, desatenta ou uma mistura dos dois e apresentar dificuldade de aprendizagem acadêmica. ''Ela é inteligente e aprende, mas não consegue expor isso nas provas. É uma criança que pode ser muito boa em desmontar e montar carrinhos e motores, mas não vai bem na sala de aula'', explica Lívia. Mas é preciso lembrar que nem toda criança agitada ou distraída tem DDA. ''Os sintomas existem todo o tempo, não só na sala de aula, como alguns pais e professores acreditam'', alerta.
Já as crianças que sofrem de dislexia apresentam problemas apenas na leitura e na escrita, que acontece de maneira bem mais lenta do que o normal. ''Essa dificuldade, quando bem trabalhada, acaba desaparecento. Nomes como Albert Einstein e Agatha Christie sofreram com a dislexia e se tornaram famosos por sua inteligência e criatividade'', lembra.
Por último existem os problemas motores, onde o aluno apresenta uma letra feia e dificuldade para executar tarefas, como cortar e colar. ''O que acontece é que a mão não acompanha o cérebro. Muita gente acredita ser má vontade, mas não é bem assim'', garante.
Respeitar as diferenças Há ainda outros complicadores que atrapalham o processo educacional, como o Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) e problemas emocionais, como timidez, irritabilidade. O que a especialista garante é que todos podem ser tratados, com acompanhamento médico ou psicológico. ''O que os pais devem procurar é uma escola que saiba respeitar as diferenças e ajudar a família a identificar o problema e as melhores maneiras de superá-lo. Se a criança é tímida, por exemplo, uma escola que privilegie os trabalhos em grupo pode não ser a melhor opção. Já uma escola mais liberal, onde os alunos possam se expressar, provavelmente seja mais indicada para uma criança empreendedora e questionadora'', comenta.
Procurar lugares com diferentes canais de ensino é uma segurança de que o conteúdo será aprendido por diferentes alunos. ''Ficar só no livro e no caderno não é bom para ninguém. É possível ensinar de formas diferentes, através de passeios, culinária, trabalho em hortas e feiras culturais e de ciência. Os pais devem se preocupar com a proposta pedagógica, com o espaço externo e a área verde da escola, com o número de alunos em sala, que deve ser reduzido para atender às necessidades de todos. Uma escola que ofereça tudo isso e siga os valores da família é o que os pais devem buscar'', aconselha.
Algumas atitudes tomadas em casa também podem garantir que certos problemas diminuam ou nem apareçam. Lívia lembra que nem sempre a culpa nos problemas de aprendizado é dos pais, mas que muitas vezes eles acabam atrapalhando. ''Principalmente com as crianças pequenas, os pais são muito protetores e isso inibe o aprendizado. Atividades como comer sozinho, calçar os próprios sapatos e subir em árvores colaboram para o desenvolvimento de redes sinápticas no cérebro, que melhoram o aprendizado e a capacidade motora, fundamental para a realização de certas tarefas. Superproteger os filhos não ajuda em nada'', alerta. n

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