A adolescência é uma fase de grandes transformações. E é justamente nesse momento que o jovem precisa decidir sobre seu futuro, escolher sua profissão. Na hora de fazer a inscrição para o vestibular, a maioria ainda não sabe exatamente que curso deseja fazer. Para solucionar esse problema, o melhor caminho é a orientação vocacional.
Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, isso não deve começar no último ano do colegial ou três meses antes do concurso, mas na 1ª série do colegial. A psicóloga e professora universitária Sandra Flores, que é membro da diretoria da Associação Brasileira de Orientação Profissional e representante do Paraná nessa Associação, vem há 25 anos se dedicando ao assunto. Segundo ela, o ideal é que todas as escolas públicas ou privadas tivessem um programa de orientação profissional desde a 1ª série do colegial.
‘‘Essa política facilitaria em muito o aluno na hora de ele escolher seu futuro’’, defende. A psicóloga compara a orientação vocacional a uma viagem de automóvel. ‘‘Sabemos onde estamos e sabemos aonde gostaríamos de ir, mas há duas maneiras de se chegar. A primeira é entrar no carro e ir embora, programando as coisas no caminho. A segunda é planejar com antecedência, fazer mapas, determinar a distância que pretendemos percorrer por dia, entre outras coisas. Qualquer um dos métodos, provavelmente, nos levará a algum lugar, mas, ainda que o primeiro possa parecer atraente como aventura, o segundo é que vai nos fazer chegar mais rápido e com menos stress’’, compara Sandra Flores.
Ela lembra que é muito comum, ao ser questionado sobre que profissão seguir, o adolescente responder: medicina, direito e engenharia. ‘‘É que a adolescência é uma fase de perdas, então, escolher uma profissão significa perder todas as outras, por isso, ele fica entre meia dúzia de opções’’, observa. Sandra Flores informa que uma pesquisa realizada recentemente mostrou que, nas universidades particulares, 40% dos alunos desistem no primeiro ano do curso. Nesse sentido, a psicóloga argumenta que a orientação profissional tem como objetivo abrir espaço para o adolescente poder falar e pensar sobre sua escolha.
De acordo com Sandra Flores, a família pode ajudar o filho na escolha da profissão, mas sem contaminá-lo com seus próprios desejos. ‘‘Os pais devem abrir espaço para conversar sobre profissões, mas não impor uma definição ou ficar cobrando uma decisão. É uma postura difícil, pois os pais têm expectativas sobre o futuro dos filhos, mas é preciso se controlar e dar tempo ao filho, pois a cobrança gera ainda mais stress e angústia’’, ressalta a psicóloga.

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