Celso Mattos
No primeiro dia em que ficam no berçário, as crianças estranham o ambiente e deixam as mães ansiosas. Mas a experiência pode ser bastante positiva e reveladora
Para a maioria das mães, o dilema começa quando a licença-maternidade está chegando ao fim e é preciso voltar ao trabalho. Com quem deixar o filho? A dificuldade de encontrar uma babá preparada para cuidar de um recém-nascido tem levado muitas mães a optar por creches e berçários onde existem profissionais treinados para essa tarefa. Mas isso não alivia a tensão e nem diminui a dor da separação, principalmente nos primeiros dias. É comum as mães interromperem o trabalho várias vezes e ligar para o berçário, perguntando se o filho mamou direitinho, se dormiu ou se chorou.
Mesmo não sendo nenhum sonho materno, o ingresso precoce na escolinha pode ser um experiência positiva. Porém, com cuidados redobrados, pois até os 2 anos, o ego da criança está se estruturando e a essência de sua personalidade e de seu caráter está em formação. ‘‘O importante é que os pais não depositem no berçário a responsabilidade da educação do filho’’, afirma a psicóloga Myrna Coelho Azulini. ‘‘Não é porque a criança chega em casa alimentada e limpinha que ela não vai necessitar da atenção dos pais’’, reforça.
A psicóloga ressalta que o importante, nesse caso, é que os pais fiquem atentos ao comportamento da criança e que mantenham um canal aberto com a escolinha. ‘‘No começo, é difícil tanto para mãe quanto para a criança porque toda mudança de ambiente causa uma certa ansiedade. No entanto, se as mães se manterem seguras e sem culpa, isso, com certeza, vai ajudar na adaptação do filho no ambiente escolar’’. Segundo Myrna Coelho Azulin, uma coisa precisa ficar clara para as mulheres: ‘‘Se uma mãe fica o dia inteiro com o filho, isso não quer dizer que ela seja uma mãe melhor do que aquela que trabalha fora’’.
Para ela, o importante é a escolha certa do berçário. ‘‘Os pais precisam observar se o local é adequado e se os profissionais são devidamente preparados. Mesmo assim, é fundamental estar sempre atento ao comportamento da criança’’. A psicóloga reconhece que os primeiros dias são os mais críticos, mas nem por isso as mães devem desistir. ‘‘É natural a criança chorar e fazer manha. Neste caso, as mães devem se manter tranquilas e ajudar o filho a se adaptar ao novo ambiente. Até os 3 anos, a criança tem os pais como termômetro e referência do que é bom e ruim. Se ela vê a mãe chorando ou nervosa, vai pensar que só pode ser terrível um lugar onde a mãe chora ao deixá-la’’.
Ambiente privilegiado Myrna Coelho Azulini diz que os pais estão sempre em busca de uma receita de como agir com os filhos, mas isso não existe. ‘‘Cada criança vai reagir de uma forma diferente. Algumas são mais sociáveis, outras não. O importante é ficar de olho nas mudanças de comportamento do filho e observar como ele está sendo tratado no berçário’’. A psicóloga lembra que o ambiente escolar é privilegiado porque traz para a criança a oportunidade de aprender com a própria criança. ‘‘Ela passa a ter como modelo alguém de sua idade. Aprende a dividir brinquedos, espaço e atenção, descobrindo que em seu mundo também existem outras crianças com direitos e deveres iguais aos seus. Esse aprendizado é válido e necessário’’, afirma a psicóloga.
A diretora e proprietária da escola Primeiros Passos, Adriana Bianco, conta que o período de adaptação no berçário dura, em média, 20 dias. ‘‘Geralmente, às segundas-feiras as crianças choram mais porque elas passam o fim de semana com os pais. Por isso, nesses 20 dias, nós precisamos recomeçar o trabalho de adaptação a cada início de semana. Depois, ela acaba se acostumando e não estranha mais’’. Adriana Bianco diz que não permite que a mãe fique junto com o filho na escola. ‘‘Ela pode ficar, mas na secretaria, observando a criança de longe. Caso contrário, a fase de adaptação será muito mais demorada’’.
Ela informa que existem mães que estão deixando o filho no berçário antes do término da licença-maternidade. ‘‘São profissionais liberais como dentistas, médicas e advogadas que não têm carteira assinada e precisam retornar ao trabalho antes dos quatro meses’’. Adriana Bianco lembra que quanto mais nova é a criança, maior é ansiedade da mãe. ‘‘Porém, a fase de adaptação é mais fácil. A partir dos 6 meses, a criança já estranha a mudança de ambiente’’, observa.

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