Quando vemos um bebê gordinho, cheio de dobrinhas nas pernas, achamos a coisa mais fofa do mundo. Mas quando esse bebê cresce e as dobrinhas permanecem, os pais são tomados por um grande dilema: a obesidade infantil. Com as facilidades e mudanças de hábito da vida moderna, o número de crianças acima do peso vem crescendo de forma alarmante. Um estudo do IBGE mostrou que no Brasil, em 1998, os pequenos com sobrepeso já eram 13,9% das pessoas entre 6 e 9 anos de idade. Acredita-se que hoje esse número tenha subido em 50%. E com o excesso de peso vem o diabetes, a hipertensão e o colesterol.
A saída para reverter esses casos é o controle alimentar e a atividade física regular. Mas quando se trata de crianças, fica difícil controlar a ingestão de doces, refrigerantes e outras guloseimas. Para tentar driblar as calorias diárias sem restringir a alimentação dos filhos, os pais começam a rechear as prateleiras com produtos diet e light. São chocolates, leite, biscoitos, sorvete, chicletes. Até shakes especiais para emagrecimento infantil já estão disponíveis no mercado.
Mas antes de encher o carrinho com delícias que prometem não engordar, é preciso levar em conta a nutrição necessária para o desenvolvimento correto dos gordinhos. ''As crianças precisam de muitos nutrientes porque estão em fase de crescimento. Os produtos light e diet devem ser usados com cautela e apenas para quem precisa perder peso. E mesmos nesses casos o ideal seria ter uma alimentação saudável'', diz a nutricionista Elaine Cristina de Melo.
Ela lembra que todos nós precisamos ingerir gordura, fundamental para o transporte de vitaminas e produção de hormônios, e carboidratos, responsáveis pela energia imediata gasta pelo corpo. ''Algumas mães ficam neuróticas com a idéia de que gordura e carboidratos engordam e acham que o filho não deve consumi-las. É claro que manter o peso é importante, mas comer de forma correta também. As pessoas hoje só pensam nas calorias da alimentação'', afirma.
Outro risco devido ao consumo de produtos diet e light é o hábito de comer em mais. ''E aí a pessoa não consegue emagrecer. Por mais que a comida seja light, ela engorda se for em excesso, e o diet apenas não tem açúcar, mas também engorda'', comenta.
Nos casos de crianças que precisam perder ou controlar o peso, a nutricionista garante que os pais podem utilizar os alimentos light e diet e até os shakes, mas com muita cautela. ''Dá para tomar um refrigerante light de vez em quando e tomar um shake à noite se a criança foi à uma festinha e comeu muita bobagem por lá, servindo apenas para compensar uma extravagância'', diz.
Para os bebês, o ideal é não utilizar nenhum tipo de substância diet ou light. ''Na verdade a alimentação de crianças pequenas não deveria conter nenhum tipo de açúcar ou sal, porque eles interferem na formação do paladar. Quando somos bebês estamos aprendendo a comer. Se os pais usam açúcar ou qualquer outro adoçante no leite da mamadeira, por exemplo, ele irá precisar dele para sempre. Aquelas que não têm acesso a esses alimentos, provavelmente serão adultos que não sentem atração por doces. Na mamadeira não se deve colocar nada além de leite'', lembra a nutricionista.

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